Na manhã de 29 de maio de 2026, um drone russo caiu em um prédio residencial na cidade de Galati, na Romênia, ferindo duas pessoas. O incidente ocorreu durante um ataque aéreo noturno direcionado à Ucrânia, e gerou uma forte reação do governo romeno e de seus aliados da OTAN. O Ministério das Relações Exteriores da Romênia classificou a queda do drone como uma grave violação do direito internacional, aumentando as preocupações sobre a possibilidade de que a guerra da Rússia na Ucrânia se espalhe para os estados vizinhos da OTAN.
O drone foi rastreado por radares romenos antes de colidir com o telhado do edifício, provocando um incêndio que levou à evacuação de vários moradores. Em resposta ao incidente, a Romênia acionou dois caças F-16 e um helicóptero, enquanto alertas de emergência foram emitidos para a população local. Apesar da gravidade da situação, as lesões foram consideradas leves.
Este evento é apenas o mais recente de uma série de incursões que têm ocorrido ao longo da fronteira leste da OTAN, levantando temores de uma possível escalada do conflito. Nos últimos meses, países como Estônia, Lituânia e Letônia, além da Finlândia, relataram repetidas violações de seu espaço aéreo. Recentemente, uma incursão de drones levou à queda do governo na Letônia.
Após a queda do drone, o governo romeno convocou o embaixador russo para expressar sua indignação. A Ministra das Relações Exteriores, Oana Toiu, anunciou que o país comunicaria oficialmente as consequências diplomáticas que a Rússia enfrentaria devido a essa falta de responsabilidade. O presidente romeno, Nicusor Dan, afirmou que a Romênia não aceitará que a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia seja transferida para seus cidadãos, e pediu ao Ministério das Relações Exteriores que apresentasse medidas proporcionais à gravidade da situação.
A OTAN e outros aliados também se uniram ao coro de condenações. O Ministro Francês para Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, destacou que o incidente evidencia a ameaça que a Rússia representa para a segurança europeia, especialmente com tropas francesas estacionadas na Romênia. O Ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, enfatizou que, independentemente de o incidente ter sido intencional ou resultado de incompetência, a Rússia continua sendo um perigo que deve ser enfrentado.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o incidente demonstra que a guerra de agressão da Rússia cruzou mais uma linha. Um porta-voz da OTAN também condenou a "imprudência" da Rússia nas redes sociais. O Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, expressou solidariedade à Romênia, classificando a Rússia como uma ameaça à região do Mar Negro e ao continente europeu.
O Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, alertou que os ataques em escalada correm o risco de sair do controle, com consequências desconhecidas e não intencionais. Ele observou que mais civis foram mortos nos primeiros quatro meses deste ano do que no mesmo período nos três anos anteriores, pedindo por diplomacia, desescalada imediata e um cessar-fogo total e incondicional. A crescente preocupação de que a guerra possa se espalhar é alimentada pela escalada das hostilidades da Rússia, que busca desviar a pressão política e econômica crescente em casa.
As forças ucranianas relataram ter derrubado 217 drones em uma única noite, enquanto a Rússia lançou 232 drones e um míssil balístico, atingindo 14 áreas, segundo a força aérea de Kyiv. Moscou anunciou planos de realizar "ataques sistemáticos" em Kyiv e emitiu uma série de ameaças a aliados europeus da Ucrânia, listando instalações na Europa que, segundo eles, estão envolvidas na fabricação de drones e componentes para a Ucrânia. O Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia recentemente alertou as nações bálticas de que sua adesão à OTAN não as protegeria de retaliações caso permitissem que a Ucrânia lançasse ataques de seu território.
Analistas alertam que o risco de um confronto aberto entre a Rússia e os estados da OTAN está aumentando, o que intensifica as preocupações em relação à cláusula de defesa coletiva do Artigo 5 da OTAN. O embaixador dos EUA na OTAN denunciou a "incursão imprudente" em uma postagem nas redes sociais, embora não tenha mencionado explicitamente a Rússia. Ele reafirmou que os EUA defenderão cada centímetro do território da OTAN.
O Primeiro-Ministro da Holanda, Mark Rutte, também insistiu que a OTAN defenderá todo o seu território, afirmando que o comportamento imprudente da Rússia é um perigo para todos.