PSOL traça estratégia para 2026 sem Boulos
O PSOL está traçando estratégias para as eleições de 2026, focando na renovação de quadros com figuras combativas nas redes sociais, especialmente em São Paulo e Rio, para rivalizar com o bolsonarismo. Com a saída de Guilherme Boulos para a Secretaria-Geral da Presidência, Erika Hilton desponta como principal puxadora de votos em São Paulo. No Rio, a aposta é em Rick Azevedo e Talíria Petrone. O partido também mira o Senado em Minas com Áurea Carolina e no Rio Grande do Sul com Manuela D’Ávila, além de buscar expansão no Nordeste e Centro-Oeste.
Desafiado pela cláusula de barreira e pela saída de Guilherme Boulos, o PSOL busca renovar seus quadros com nomes conhecidos pela atuação combativa nas redes sociais, de olho nas eleições de 2026. Além de evitar um encolhimento da bancada na Câmara, o partido tenta vencer disputas com bolsonaristas, em estados como São Paulo e Rio, para emplacar os deputados mais votados.
O foco principal será São Paulo, onde Boulos obteve mais de 1 milhão de votos em 2022, se tornando o mais votado do estado e o segundo mais votado do país. Em 2023, ao disputar a prefeitura, ele alcançou 2,1 milhões de votos, mas foi derrotado por Ricardo Nunes (MDB). Sua atuação em defesa do governo Lula e contra movimentos do Congresso, como a PEC da Blindagem, o credenciou para assumir um ministério, deixando-o fora das eleições de 2026. O vácuo deixado por Boulos tende a ser ocupado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), principal aposta do partido como puxadora de votos em São Paulo. Ela se destaca em pautas como o fim da escala 6x1.
— Acreditamos que pode repetir a votação do Boulos, especialmente por sua força entre a juventude — afirma a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi.
Erika antevê uma disputa direta com candidatos do bolsonarismo para o partido voltar a emplacar o nome mais votado à Câmara.
— É uma responsabilidade gigante enfrentar a extrema-direita, que virá muito raivosa — diz a deputada.
Em 2022, o PSOL atingiu a cláusula de barreira em 12 estados; em 2026, terá de eleger ao menos 13 deputados distribuídos por um terço das unidades da federação ou alcançar 2,5% dos votos válidos. Além de Boulos, outros nomes paulistas podem deixar a disputa. Aos 91 anos, Luiza Erundina avalia se tentará reeleição. Já Ivan Valente, aos 79, lançará Juliano Medeiros como seu sucessor.
A sigla também investirá na candidatura de Natalia Szermeta, mulher de Boulos, que ampliou presença em atos e articulação nas redes. Internamente, espera-se que ela absorva votos ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), por onde Boulos iniciou sua carreira política. No Rio, a legenda aposta no vereador Rick Azevedo, fundador do Movimento Vida Além do Trabalho e militante pelo fim da escala 6x1, que surpreendeu na eleição municipal de 2024. Além de Rick, a expectativa do partido é de que a deputada federal Talíria Petrone, que chegou ao segundo turno na eleição para a prefeitura de Niterói, seja puxadora de votos.
— Colocar uma mulher negra à frente da direita seria muito representativo — afirma Talíria.
Cenário em três estados:
- São Paulo: A aposta é em Erika Hilton como principal puxadora de votos. A sigla também investe em Natalia Szermeta, mulher de Boulos. Luiza Erundina pode deixar a disputa, e Ivan Valente prepara Juliano Medeiros como sucessor.
- Rio de Janeiro: O partido vai optar por nomes com forte presença nas redes, como Rick Azevedo, e aposta na reeleição de Chico Alencar e Pastor Henrique Vieira. A principal expectativa é Talíria Petrone, vista como puxadora de votos.
- Rio Grande do Sul: O PSOL lançará Manuela D’Ávila ao Senado.
Recém-filiada após deixar o PCdoB, Manuela tenta retomar atuação nacional e fortalecer a presença da sigla no estado, numa aposta em sua trajetória consolidada. Busca pelo Senado em Minas: O foco estará no Senado, com a candidatura da ex-deputada Áurea Carolina, que busca se tornar a primeira senadora negra do estado. No Rio Grande do Sul, o PSOL lançará ao Senado a ex-deputada Manuela D’Ávila, que já teve “divergências e convergências” com o novo partido, mas destacou a atuação junto aos movimentos sociais como um diferencial para 2026.
— Busquei um partido não só para concorrer, mas para militar e ajudar a dizer para as pessoas que existe uma alternativa de luta — afirmou.
No Nordeste, o partido busca uma expansão com nomes como Renato Roseno (CE), deputado estadual no Ceará e que deve concorrer à Câmara em 2026 — o PSOL nunca elegeu deputados federais na região. No Centro-Oeste, a sigla avalia lançar à Câmara o deputado distrital Fábio Felix, o mais votado da história do DF, conhecido pela atuação em pautas LGBTQIA+.