Ex-assessor de Cláudio Castro é exonerado após declarações polêmicas
Victor Travancas, advogado e ex-assessor na Secretaria da Casa Civil do Rio de Janeiro, foi exonerado após fazer acusações graves contra o governador Cláudio Castro, afirmando que o Palácio Guanabara serve como abrigo para "crime organizado". As declarações foram feitas em entrevista ao podcast do ex-governador Anthony Garotinho, causando repercussão imediata na esfera política.
No programa, Travancas destacou que, desde o início do ano, tentava se afastar do cargo, mas teve seu pedido negado em diversas ocasiões. Após a exibição da polêmica entrevista, a exoneração foi publicada em uma edição especial do Diário Oficial, sem comentários do governo sobre a situação.
- O Palácio Guanabara é o gabinete do crime organizado do Rio de Janeiro, declarou Travancas, acrescentando que havia alertado Castro sobre irregularidades na Fundação Ceperj, que posteriormente resultaram em problemas legais para o próprio advogado.
Além das críticas à administração de Castro, Travancas também questionou a nomeação de outros aliados do governador. Um dos alvos foi o ex-deputado federal André Moura, que foi exonerado de um cargo interino no governo, mas ainda permanece na pasta da Secretaria de Governo. Durante a entrevista, Travancas apontou que Moura se referia a TH Joias, ex-deputado estadual preso por supostas ligações com o Comando Vermelho, como um "grande amigo".
O ex-assessor também não poupou críticas a nomeações polêmicas, como a do ex-subsecretário José Carlos Costa Simonin, que teve seu filho entre os acusados em um caso de estupro coletivo na praia de Copacabana. Simonin foi desligado do cargo após o escândalo.
A exoneração e as acusações ganharam ainda mais repercussão com a resposta do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Em sua conta no X, Paes criticou a postura do governador, mencionando a prisão do vereador Salvino Oliveira e levantando questões sobre a veracidade das declarações de Travancas.
"Se ele mente, é crime. Se diz a verdade, tem muito crime", escreveu Paes, sugerindo que a permanência de Travancas no cargo até a exoneração demonstra um "medo" do governo sobre o que ele poderia revelar.
Históricamente, Travancas é conhecido por suas críticas às gestões em que esteve envolvido. Em janeiro de 2024, ele foi nomeado subsecretário adjunto do gabinete de Castro, mas pediu para sair em setembro. Desde então, ele ocupou diversos cargos, incluindo uma posição como director do Arquivo Público, mas sempre demonstrou descontentamento com a situação política vigente. Seu ativo envolvimento em polêmicas e pedidos de exoneração culminou na decisão mais recente de deixar o cargo na Casa Civil.