Vereador Salvino Oliveira é solto após decisão do Tribunal de Justiça
Na tarde desta sexta-feira, o vereador Salvino Oliveira, do PSD, foi libertado do presídio José Frederico Marques, após a concessão de um habeas corpus pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O político estava preso por suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas, uma acusação que gerou intensos debates e polêmicas políticas no estado.
A Polícia Civil argumentou que o fato de Salvino ser oriundo da Cidade de Deus e utilizar o slogan "Vereanças das Favelas do Rio" foram determinantes para as acusações. O desembargador Marcus Basilio, ao deferir o pedido de soltura, destacou a fragilidade das evidências apresentadas pela corporação.
Segundo o relatório da Polícia Civil, o histórico da Cidade de Deus, conhecida pela sua conexão com o crime organizado, contribuiu para a construção da narrativa contra o vereador. O inquérito destacou que essa autodeclaração poderia ser contextualizada com a utilização do local como base para atividades criminosas do Comando Vermelho.
Ao deixar a prisão, Salvino Oliveira expressou sua indignação e denunciou o que considera uma injustiça.
"Mentiram, foram covardes, e vão responder pelos seus atos",declarou, mencionando as dificuldades enfrentadas devido à sua prisão. O vereador também enfatizou que não se calará diante da situação e que aqueles envolvidos na interpretação errônea de sua situação devem ser responsabilizados.
A decisão judicial impôs restrições ao vereador, que não pode se ausentar do estado do Rio por mais de 15 dias sem autorização. Além disso, ele está proibido de se comunicar com outros investigados. Essas medidas geraram inquietação e alimentaram ainda mais as tensões políticas na região.
Logo após a soltura, a Polícia Civil lançou uma nota em suas redes sociais, trazendo à tona novas suspeitas contra Salvino. Segundo as investigações, foram identificados créditos suspeitos que somam mais de R$ 100 mil, provenientes de uma empresa de informática situada no Complexo da Maré.
A Operação Contenção Red Legacy, que visava não apenas a prisão do vereador, mas também de seis policiais militares, continua a agitar a cena política do Rio. O presidente do PSD local, deputado federal Pedro Paulo, anunciou que solicitará uma audiência com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para discutir as circunstâncias que levaram à prisão do vereador.
Esse desdobramento acirrou a disputa política entre o prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro, que estão em constante embate enquanto se preparam para as próximas eleições. O Palácio Guanabara, por sua vez, defendeu a legalidade da prisão, afirmando que a decisão foi baseada em critérios técnicos, ultrapassando a influência do governo.
Esse episódio ressalta a complexidade das relações políticas e a utilização de ações da polícia em embates eleitorais, levantando questões sobre a ética e a imparcialidade nas investigações que envolvem figuras públicas.

