Roubo audacioso na Biblioteca Mário de Andrade em São Paulo
A Biblioteca Mário de Andrade, considerada a segunda maior do Brasil, foi alvo de um ousado roubo no último domingo. Treze obras de arte, entre elas gravuras de renomados artistas como Henri Matisse e Candido Portinari, foram levadas por criminosos. A ação criminosa despertou a atenção da Polícia Civil, que prendeu um suspeito, conhecido como Sujinho, além de acionar a Interpol para evitar a exportação das peças roubadas.
No momento do crime, a dupla de assaltantes conseguiu atravessar duas salas da biblioteca, cujas portas estavam destrancadas, sem levantar suspeitas. Em poucos minutos, renderam um segurança e um casal de idosos. As valiosas obras de arte foram armazenadas em uma simples sacola de pano. A fuga, que foi parcialmente registrada por câmeras de segurança, incluiu disfarces e um abandono temporário das obras ao lado de uma pilha de lixo, o que chamou a atenção de diversos veículos de comunicação, tanto no Brasil quanto no exterior.
O crime, que aconteceu no último domingo, ganhou destaque pela facilidade com que os assaltantes conseguiram realizar a ação sem serem interceptados. A Prefeitura de São Paulo detalhou a dinâmica do roubo e informou que a Polícia Federal foi acionada para ajudar na investigação e para assegurar que as obras não fossem negociadas fora do país.
Felipe dos Santos Fernandes Quadra, o Sujinho, foi preso em um imóvel na Mooca, Zona Leste de São Paulo. Ele já possuía antecedentes por furto, roubo e tráfico de drogas. No dia do roubo, o suspeito foi visto conversando com a dupla que invadiu a biblioteca. As autoridades investigam a possibilidade de que os criminosos tenham atuado sob encomenda de um intermediário com conhecimento sobre o mercado de arte.
Entre as obras roubadas, estavam oito gravuras do artista francês Henri Matisse, que faziam parte de uma coletânea chamada “Jazz”, considerada um dos livros mais importantes do artista, além de cinco gravuras de Candido Portinari, todas relacionadas ao livro “Menino do Engenho”, de José Lins do Rego. A exposição dessas obras estava em seu último dia de exibição na biblioteca.
Embora as peças estivessem seguradas, os responsáveis pela biblioteca não puderam divulgar os valores envolvidos por razões contratuais. Entretanto, especialistas estimam que o valor total das obras roubadas pode chegar a cerca de R$ 1 milhão. A Secretaria Municipal de Cultura ressalta que essas peças possuem valor cultural e artístico, sendo seu valor meramente econômico incalculável.
Durante a fuga, os criminosos abandonaram um carro e trocaram de roupas. Alguns quadros chegaram a ser descartados temporariamente em uma esquina, quando um dos assaltantes teria se assustado com a aproximação de um veículo. As câmeras de reconhecimento facial da prefeitura registraram toda a trajetória dos criminosos desde o roubo até a chegada em uma residência onde as obras estariam escondidas.
Apesar da identificação do suposto esconderijo, as autoridades informaram que ainda aguardam um mandado de busca e apreensão para comprovar a localização das obras. Até quando esta edição foi finalizada, nenhuma das peças havia sido recuperada.
A ousadia da ação repercutiu fortemente na mídia internacional, e o caso foi comparado a outros assaltos notórios no mundo da arte. A emissora britânica BBC e o jornal argentino Clarín noticiaram o caso, mencionando a facilidade com que os criminosos conseguiram invadir a biblioteca e realizar o roubo.
"O assalto ocorre menos de dois meses depois de o mundo da arte ter sido abalado por uma invasão descarada no museu do Louvre, em Paris, onde ladrões roubaram joias de valor inestimável", descreveu a emissora britânica BBC.