Roubo de Gravuras de Matisse Expõe Falhas de Segurança em SP
No último domingo (7), oito gravuras do renomado artista francês Henri Matisse foram roubadas da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, durante uma ação que expôs graves falhas de segurança no local. Essas obras, que fazem parte do álbum "Jazz", de 1947, já haviam sido alvo de um complexo esquema de furtos e falsificações há 20 anos, trazendo à tona a fragilidade das medidas de proteção a obras raras no Brasil.
De acordo com investigações, no início dos anos 2000, o álbum de Matisse foi levado por um funcionário da biblioteca durante uma reforma, sendo posteriormente substituído por uma cópia grosseira. A recuperação das obras originais ocorreu em 2011, na Argentina, após uma operação da Polícia Federal (PF). No entanto, o recente furto levanta questões sobre até que ponto as lições desse caso anterior foram realmente aprendidas.
As gravuras de Matisse foram localizadas na cidade de Puerto Iguazú e devolvidas ao Brasil após um longo processo judicial que durou quatro anos. Assim que o material foi restituído à Biblioteca Mário de Andrade, uma série de melhorias de segurança foram implementadas, permitindo que as obras permanecessem protegidas até o último roubo.
Além das gravuras de Matisse, obras de Candido Portinari também foram levadas durante o furto mais recente. A Secretaria da Cultura informou que um casal de idosos e uma vigilante foram rendidos pelos criminosos no momento da ação. A abordagem audaciosa se deu nas dependências da cúpula de vidro da biblioteca, onde os ladrões recolheram as obras e fugiram pela saída principal.
Um dos suspeitos, identificado como Felipe dos Santos Fernandes Quadra, de 31 anos, foi preso na segunda-feira (8), e já tinha histórico criminal relacionado a furtos e tráfico de drogas. As investigações continuam em busca do segundo assaltante, que permanece foragido. A polícia destacou que câmeras de segurança da Prefeitura de São Paulo foram fundamentais para identificar os envolvidos no crime.
História Emblemática das Gravuras de Matisse
O ex-diretor da Biblioteca Mário de Andrade, Luiz Armando Bagolin, recorda-se com pesar do episódio emblemático envolvendo o álbum "Jazz". Segundo ele, mesmo após a devolução em 2015, a segurança continuou a ser uma preocupação constante. “Acredito que uma pessoa pode entrar armada na biblioteca e não havendo segurança, isso é inaceitável,” declarou.
Bagolin enfatizou a importância de transformar a biblioteca em um local seguro, implementando medidas como câmeras e sistemas de alarme, além de promover a circulação cultural para fortalecer a sensação de segurança. “Em 2015, a biblioteca ficou aberta 24 horas e virou um dos pontos culturais mais vibrantes da cidade”, comentou.
Embora as obras roubadas contassem com apólice de seguro vigente, a perda cultural é imensurável e expõe a fragilidade do nosso sistema de proteção a bens culturais preciosos.
O Caminho a Seguir
A Secretaria de Cultura enviou um comunicado afirmando que está colaborando com as investigações e que todas as informações necessárias estão sendo disponibilizadas às autoridades competentes. Entretanto, a sociedade civil e os órgãos culturais devem urgentemente revisar e intensificar suas práticas de segurança para evitar que casos como este se repitam.
Este roubo de gravuras de Matisse, que já possui uma história conturbada, é um alerta sobre a necessidade de investimentos em segurança em instituições culturais, refletindo um cenário de vulnerabilidade que não pode mais ser ignorado.
A esperança é que ações concretas sejam tomadas para proteger o legado artístico do Brasil e garantir que o patrimônio cultural permaneça acessível e seguro para as futuras gerações.