Ampliação da Progressão Parcial no Ensino Médio gera polêmica no Brasil
Desde 2023, seis redes de ensino médio no Brasil, incluindo estados como Rio de Janeiro e Pará, implementaram ou ampliaram a regra conhecida como progressão parcial, que permite que alunos reprovem em até seis disciplinas e ainda assim não percam o ano letivo. Essa medida tem como justificativa o combate à evasão escolar, mas especialistas alertam que tal abordagem pode levar a uma diminuição na qualidade do aprendizado.
O programa, que anteriormente era mais restrito, foi ampliado em resposta ao aumento do abandono escolar observado nos últimos anos. O Irineu é uma iniciativa do GLOBO que visa fornecer informações sobre a aplicação de inteligência artificial, estando sempre sob supervisão jornalística.
Pelo menos oito estados brasileiros iniciarão o ano letivo de 2026 com esta nova política. Além do Rio de Janeiro e do Pará, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Santa Catarina também adotaram a mesma estratégia. No caso de Santa Catarina, a mudança de postura é significativa, já que o estado não tinha esse modelo e agora permite reprovação em até quatro disciplinas.
Um levantamento realizado pelo GLOBO com dados de 23 estados mostra que apenas quatro deles (Paraná, Espírito Santo, Sergipe e Tocantins) optaram por não aderir à progressão parcial. A maioria define limites de reprovação em até duas ou três disciplinas, considerados adequados por especialistas na área educacional.
Contrapõe-se à ampliação da regra o pensamento de analistas que defendem que permitir a reprovação em tantas disciplinas pode criar uma falsa impressão de sucesso educacional. Especialistas afirmam que a verdadeira educação deve ir além de apenas facilitar a aprovação dos alunos, que é uma abordagem superficial e enganosa.
"O Regime de Progressão Parcial tornou-se uma necessidade pedagógica em âmbito nacional, com estados de todo o país revisando e adotando suas normas, especialmente após os debates sobre os impactos da pandemia na aprendizagem", afirma a nota oficial do estado da Paraíba, que recentemente regulamentou a medida.
Estudos internacionalmente reconhecidos indicam que uma alta taxa de repetência é ineficaz para a educação, promovendo o abandono escolar. Em sistemas educacionais de alto desempenho em outros países, a retenção de alunos ocorre apenas em circunstâncias excepcionais. Contudo, especialistas advertem que adiar muitas disciplinas para o ano seguinte pode obstruir a recuperação do conteúdo perdido, comprometendo o aprendizado a longo prazo.
Cláudia Costin, presidente do Instituto Equidade.Info, destaca que a falta de uma estrutura adequada para suportar essa estratégia pode gerar resultados artificiais nos índices educacionais. , questiona.