Câmara avança em projeto de redução de pena com apoio de Bolsonaro
O plenário da Câmara dos Deputados do Brasil, em Brasília, aprovou um projeto polêmico que pode resultar na redução de penas para condenados pelos ataques de 8 de janeiro. A votação, que ocorreu na madrugada de quarta-feira, foi impulsionada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, e contou com o apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro e de líderes do Centrão.
O projeto, que avalia a dosimetria das penas, pode beneficiar diretamente a pena que o ex-presidente Jair Bolsonaro deve cumprir. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, e, com a nova proposta, essa pena poderia ser reduzida para cerca de 21 anos.
A definição de levar o tema à votação foi antecedida por reuniões estratégicas entre representantes do Centrão e figuras chave da direita bolsonarista. Apenas dois dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) indicar que havia "um preço" para sua possível desistência de candidatura ao Planalto, o projeto foi aprovado por 291 votos a favor e 148 contra, apesar das críticas de vários opositores.
O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que um acordo foi feito e que a oposição não apresentaria emendas ao texto, embora houvesse planos iniciais de tentar aprovar uma anistia ampla. "Bolsonaro aceitou pagar a sua parte da pena em nome do Natal em casa dessas pessoas", declarou o deputado. Essa declaração reflete um movimento tático para evitar uma anistia total, que poderia ser ainda mais controversa.
Durante a discussão, a oposição criticou a falta de transparência do processo e a possibilidade de que o projeto seja mal interpretado por setores da Justiça. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) chegou a declarar que Motta está perdendo sua capacidade de liderar a Câmara, um sinal da insatisfação entre os aliados do governo.
Além disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também se manifestou a favor do projeto, prometendo que ele seria votado ainda este ano. A expectativa é que o projeto avance rapidamente, porém a oposição e alguns integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) alertaram para a necessidade de mais discussão sobre o assunto antes da aprovação final.
A votação foi marcada por momentos tensos, incluindo um episódio em que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força da cadeira de presidente da sessão, o que atrasou os trabalhos. A possibilidade de o projeto ser votado neste ano continua, mas há uma divisão clara entre os que apoiam a rapidez dessa aprovação e os que desejam maior reflexão sobre suas implicações.
Ministros do STF afirmaram que a votação não significa um "atropelo" sobre as prerrogativas da Corte, já que a revisão de penas ainda depende da atuação dos magistrados. O texto visa moderar o debate sobre anistia irrestrita ao propor uma redução nas penas, tentando equilibrar os interesses políticos e jurídicos envolvidos nesta questão delicada.
O projeto, que agora segue para a apreciação no Senado, pode se tornar uma ferramenta crucial nas dinâmicas políticas se for aprovado, e sua sanção ou veto final estará nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.