María Corina Machado não comparece à cerimônia do Nobel da Paz
A cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz de 2023 aconteceu na quarta-feira (10) em Oslo, na Noruega, mas a laureada María Corina Machado, uma das figuras mais proeminentes da oposição venezuelana, não esteve presente. Em seu lugar, sua filha, Ana Corina Machado, aceitou o prêmio em nome da mãe, que se encontra em uma situação de segurança precária dentro da Venezuela.
Ana Corina leu um discurso escrito por María Corina, no qual a líder da oposição criticou duramente o regime de Nicolás Maduro, denunciando-o como um "terrorismo de Estado" e uma "ditadura brutal". No discurso, Machado enfatizou o desmonte da liberdade na Venezuela e a corrupção desenfreada associado ao governo chavista.
Após o anúncio do prêmio em outubro, a situação de María Corina Machado se tornou um mistério. O Comitê do Nobel confirmou que ela chegaria a Oslo, mas apenas durante a noite. Segundo relatos, a laureada está vivendo em esconderijo desde que um mandado de prisão foi emitido contra ela pelo governo de Maduro, levando-a a viajar para fora do país em circunstâncias de grande risco.
Em uma mensagem de voz enviada ao comitê, Machado afirmou que estava a caminho de Oslo, embora o local de sua presença permanecesse desconhecido. Fontes do jornal The Washington Post relataram que a opositora havia deixado a Venezuela em um barco em direção a Curaçao e, de lá, pegou um voo para a Noruega.
O director do Instituto Nobel, Kristian Berg Harpviken, revelou que ainda não sabia o paradeiro de Machado, alimentando a incerteza em torno de sua presença na cerimônia. A líder opositora não é vista em público desde o início de 2024, quando participou de um protesto em Caracas, que culminou em seu breve sequestro.
Machado está sob uma proibição de viagem imposta pelas autoridades venezuelanas, o que complicou ainda mais sua participação no evento. O procurador-geral da Venezuela, alinhado a Maduro, declarou a Machado como foragida caso deixasse o país.
Dezenas de venezuelanos que vivem no exílio se reuniram em Oslo para apoiar a opositora de 58 anos. O Instituto Nobel havia inicialmente confirmado que Machado participaria e receberia o prêmio, que concede uma medalha de ouro, um diploma e uma recompensa monetária. O porta-voz do Instituto Nobel expressou esperança de que ela chegasse à cerimônia, evidenciando seu reconhecimento pelo impacto do trabalho de Machado em prol dos direitos humanos.
Com o paradeiro de María Corina Machado ainda incerto, familiares e aliados aguardavam ansiosamente na Noruega. O evento também contou com a presença de várias figuras políticas latino-americanas, incluindo o presidente argentino, Javier Milei, que estavam lá para prestigiar a laureada.
Em clima de expectativa, um grupo de manifestantes pacifistas e de esquerda se reuniu em frente ao Instituto Nobel, protestando contra o Prêmio Nobel da Paz por conta do apoio de Machado a ações militares dos EUA em outras nações, o que levantou polêmicas sobre sua assertiva liderança na luta por democracia e direitos humanos.
María Corina Machado, engenheira por formação, tem sido uma voz incansável contra a administração de Nicolás Maduro, especialmente após as acusadas fraudes nas eleições de 2024. O Nobel foi conferido a ela como reconhecimento de sua luta pelos direitos democráticos do povo venezuelano e pela busca de uma transformação pacífica do governo autoritário.
No mesmo dia em que o prêmio foi recebido, manifestações foram programadas pelo chavismo em Caracas, mostrando a polarização política que marca o atual contexto na Venezuela.