Sabesp ativa captação extra para enfrentar a crise hídrica
Com o Sistema Cantareira em situação crítica, operando com menos de 20% de sua capacidade, a Sabesp ativou uma nova estrutura de captação de água na Serra do Mar. Esta obra, finalizada em meio a uma severa estiagem, traz 2.500 litros de água por segundo para o Sistema Alto Tietê, vital para o abastecimento da Grande São Paulo. Meteorologistas prevêem chuvas acima da média em 2026, mas ressaltam a importância do monitoramento contínuo.
Diante dos piores índices pluviométricos da última década, a Sabesp acelerou a entrega de uma obra estratégica para a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo. A nova estrutura de captação foi implantada na bacia do rio Itapanhaú, localizada na Serra do Mar, reforçando o abastecimento em um momento crítico.
A nova estrutura tem a capacidade de transferir até 2.500 litros de água por segundo do rio Itapanhaú para o Sistema Alto Tietê, que atualmente é essencial para suprir a Grande São Paulo. Com o Sistema Cantareira operando em nível de restrição (nível 4) e com volume útil abaixo de 20%, a represa Jaguari-Jacareí, uma das principais do sistema, registrava uma preocupante marca de 16,8% de sua capacidade, a pior desde a crise hídrica de 2014.
Com o nível abaixo de 30%, a Sabesp se viu obrigada a acionar o bombeamento de água da bacia do rio Paraíba do Sul. Segundo César Soares, meteorologista da Climatempo, o ano de 2025 foi extremamente seco, com chuvas significativas apenas em abril. No entanto, as projeções indicam uma mudança no padrão climático: "O cenário para os próximos meses é muito favorável às chuvas nas áreas de captação. A tendência é de chuvas acima da média, especialmente no início de 2026, o que seria uma boa notícia para mitigar a seca do principal manancial de abastecimento da Grande São Paulo", explicou Soares.
Apesar do otimismo, o especialista alerta que o monitoramento deve ser mantido ao longo de todo o próximo ano, incluindo a estação seca, para garantir que haja uma recuperação plena dos níveis de armazenamento. Enquanto isso, órgãos reguladores como a ANA e SP Águas determinam que o Sistema Cantareira permaneça na faixa de restrição ao longo de dezembro, destacando a relevância da nova adutora do Itapanhaú para equilibrar a oferta de água na metropol.
A operação de transferência inicia no ribeirão Sertãozinho, afluente do Itapanhaú, que está localizado a cerca de 60 quilômetros da capital paulista. O projeto, que recebeu investimento de R$ 300 milhões, teve que utilizar soluções complexas de engenharia para minimizar as intervenções no Parque Estadual da Serra do Mar. Esta obra abrange um percurso de aproximadamente 9 quilômetros, composto por adutoras apoiadas sobre blocos de concreto e um túnel de 500 metros escavado na montanha, nas proximidades da rodovia Mogi–Bertioga, com cuidados para não soterrar os dutos e preservar a vegetação nativa.
A outorga concedida pela SP Águas permite uma transferência máxima de 2,5 mil litros por segundo, o que equivale a um reforço de 17% de "água nova" ao reservatório. A partir desse ponto, o Sistema Integrado Metropolitano faz a distribuição desse recurso para quase 22 milhões de habitantes da região. Roberval Tavares, diretor-executivo de Engenharia e Inovação da Sabesp, ressalta: "Operamos em regiões com baixa disponibilidade hídrica natural, altamente urbanizadas e densamente povoadas. Esta obra é mais uma alternativa para assegurar mais água para a população, buscando fontes que antes não eram utilizadas para o abastecimento".
O sistema entrou em alerta em setembro, quando o volume global caiu abaixo de 40%. O reforço da transposição do Paraíba do Sul só é possível quando o armazenamento fica abaixo de 30%. Com o nível atual em 19,7%, a situação acende um novo alerta para o abastecimento da Grande São Paulo.

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