União Europeia reforça fronteiras contra imigração irregular
A Comissão Europeia está tomando medidas rigorosas para proteger suas fronteiras de imigrantes irregulares. A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, anunciou esforços para aumentar o número de funcionários da agência de fronteiras da UE, Frontex, e estabelecer novos programas que permitam a entrada de trabalhadores qualificados em setores específicos.
A intervenção de Von der Leyen ocorreu durante uma conferência da Aliança Global contra o Tráfico de Migrantes, realizada em Bruxelas. No discurso, ela destacou a necessidade de endurecer as políticas migratórias, especialmente em um momento em que a Europa enfrenta um desafio demográfico e uma queda nas chegadas de imigrantes.
O plano envolve a contratação de 30.000 novos funcionários para a Frontex, além de firmar parcerias com empresas de transporte para controlar melhor as chegadas, especialmente por via aérea, de indivíduos sem documentação adequada. “Os contrabandistas de pessoas estão adaptando suas estratégias de transporte, utilizando cada vez mais opções comerciais em vez de barcos ou caminhões privados”, comentou Von der Leyen.
A Comissão também está se concentrando em desmantelar as redes que facilitam a imigração irregular, buscando sancionar os traficantes e combatendo as informações sobre as rotas ilegais frequentemente divulgadas na internet. Em 2024, as agências de combate ao crime na UE confiscam mais de 12 milhões de euros em ativos ilegais, que incluem barcos e armas, conforme relatado pela Comissão Europeia.
Além dos conservadores, governos social-democratas de países como Dinamarca e Reino Unido também estão aderindo a uma retórica de controle fronteiriço mais rigoroso. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, pediram um aumento na vigilância das fronteiras e até uma reconsideração da convenção europeia sobre direitos humanos, alegando que ela dificulta os esforços para combater a imigração irregular.
Durante uma recente reunião no Conselho da Europa, foi solicitado que, até 2026, se desenvolvesse uma declaração política abordando a migração e os direitos humanos, além de uma nova recomendação sobre o tráfico de migrantes. Starmer e Frederiksen afirmaram em artigo no jornal britânico The Guardian que suas propostas não são radicais, mas refletem as preocupações da população.
“A migração deve ser ordenada, gerida e sustentável. Rotas irregulares não podem ser a norma”, escreveram. Von der Leyen também afirmou que a Comissão está avançando na criação de acordos com países que promovem a entrada de migrantes com emprego garantido, formulando as chamadas "Associações de Talento". Pactos com nações como Tunísia, Marrocos, Egito, Bangladesh e Paquistão já foram firmados, e um novo acordo com a Índia foi anunciado nesta quarta-feira.
Estas iniciativas visam equilibrar a necessidade de mão de obra na Europa com o controle dos fluxos migratórios, buscando um modelo que promova uma imigração regulada e sinta as potencialidades do continente, ao mesmo tempo que endereça prévias preocupações de direitos humanos.”

