Canadá redistribui estoques de álcool dos EUA para ajudar comunidades carentes
Recentemente, diversas províncias canadenses decidiram vender os estoques de bebidas alcoólicas dos Estados Unidos que foram removidos de suas prateleiras como uma forma de protesto às tarifas impostas pelo ex-presidente americano Donald Trump. Essa medida, além de ajudar a arrecadar fundos, demonstra uma ação compensatória em tempos difíceis.
No início de março, a maioria das províncias canadenses retirou as bebidas alcoólicas americanas do mercado em resposta a tarifas de 25% estabelecidas por Trump, uma ação que afetou diretamente o comércio entre os dois países. Agora, quatro províncias – Manitoba, Nova Escócia, Ilha do Príncipe Eduardo e Terra Nova e Labrador – planejam vender o restante de seus estoques e destinar os lucros para bancos de alimentos e instituições de caridade, especialmente durante a época de festas.
A Ilha do Príncipe Eduardo anunciou que começará a vender seu estoque de bebidas americanas a partir de 11 de dezembro, estimando arrecadar cerca de 600 mil dólares canadenses, que serão doados para apoiar bancos de alimentos na região. O governo local informou que não tem intenção de fazer novos pedidos de álcool americano.
Em Terra Nova e Labrador, o governo fez um pagamento inicial de 500 mil dólares para 60 bancos de alimentos antes mesmo de iniciar as vendas. Estima-se que essa ajuda beneficiará mais de 15 mil pessoas da região. Depois da venda das bebidas, mais doações poderão ser realizadas, totalizando até 1 milhão de dólares para os bancos de alimentos.
Manitoba e Nova Escócia também têm planos semelhantes. Manitoba pretende vender seu estoque por meio de varejistas e restaurantes, com uma receita líquida estimada em 500 mil dólares destinada a instituições de caridade e organizações que apoiam crianças e comunidades indígenas. Nova Escócia, por sua vez, antecipou um pagamento de 4 milhões de dólares para grupos que fornecem acesso à comida, uma quantia que será recuperada com as vendas do álcool.
“Não vamos fazer mais pedidos dos Estados Unidos assim que esse estoque acabar”, afirmou o primeiro-ministro da Nova Escócia, Tim Houston, ressaltando que os habitantes da província já pagaram por esses produtos e a venda é uma maneira de evitar desperdícios, além de ajudar os necessitados.
O controle sobre a venda de bebidas alcoólicas no Canadá é predominantemente exercido pelos governos provinciais, sendo que Alberta é a única província com um sistema de varejo completamente privatizado. Apesar disso, cada província tem sua própria abordagem para lidar com esses estoques de álcool americano.
A província de Ontário, por exemplo, anunciou que as bebidas americanas permanecerão em armazenamento e não estarão disponíveis nas prateleiras, enquanto explora opções para o seu destino futuro. O estoque retirado em março estava avaliado em cerca de 80 milhões de dólares canadenses.
As províncias das Terras do Noroeste e da Colúmbia Britânica também seguirão a tendência de vender os produtos acumulados até que sejam totalmente esgotados, ao passo que Alberta tem continuado a importar e vender álcool americano, sinalizando um possível retorno à normalidade nas relações comerciais.
Essa crise de comercialização de bebidas alcoólicas nos EUA e Canadá está refletindo tensões comerciais mais amplas. A imposição das tarifas levou a uma queda significativa nas exportações de espíritos dos EUA para o Canadá, que despencaram 85% no segundo trimestre deste ano, resultando em um valor de exportação inferior a 10 milhões de dólares. Organizações como o Distilled Spirits Council esperam que essa situação seja resolvida rapidamente para que os produtos possam retornar às prateleiras canadenses.
Chris Swonger, CEO do conselho, afirma a necessidade de um diálogo construtivo entre os dois países, enfatizando que os bourbon makers de Kentucky expressaram preocupações sobre o impacto que essas restrições poderiam ter no setor, que responde por 95% da produção global de bourbon.
As ações empreendidas pelas províncias canadenses, enquanto tentam lidar com os desafios impostos pelas tarifas, exemplificam uma estratégia de solidariedade e apoio comunitário em meio a um cenário econômico turbulento.