Menina de 12 anos desce 14 andares para diálise em SP
Maria Sofia Araujo Freiria, uma jovem paciente renal de São Paulo, teve que enfrentar uma situação alarmante e desgastante. No último dia 11, devido a um apagão que atingiu sua residência no bairro da Mooca, a menina precisou descer 14 andares de escada para receber o tratamento de diálise no Hospital das Clínicas. A falta de energia durou de terça a quinta-feira, e a mãe, Daylyana Araújo, buscou incessantemente o contato com a Enel, empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica, ressaltando a urgência da situação.
A diálise, um procedimento vital para Maria Sofia, geralmente é feito em casa. Como ela está na fila de transplante, não pode passar mais de 24 horas sem o tratamento. No entanto, o apagão, que foi resultado de chuvas intensas em São Paulo e o impacto de um ciclone, interrompeu o funcionamento de seus equipamentos médicos.
A menina e sua mãe enfrentaram um verdadeiro desafio ao precisar ir até o hospital. Segundo Daylyana, a energia começou a falhar entre segunda e terça-feira e piorou com a chegada do ciclone, que deixou cerca de 25% da cidade sem luz após um vendaval. Apesar das tentativas da família em obter assistência pela Enel, as promessas de restabelecimento foram ignoradas.
“Maria Sofia sofre de insuficiência renal. Nós passamos 50 dias internadas entre agosto e outubro. Ela fez uma cirurgia e teve que colocar os cateteres para fazer a diálise.”
Daylyana explicou que o procedimento é, geralmente, realizado à noite, permitindo que Maria Sofia permaneça conectada à máquina por cerca de 10 horas enquanto dorme. Com a energia ausente, a mãe não teve alternativa a não ser levar a filha até o hospital durante a madrugada de quinta-feira.
“O serviço deveria ter sido retomado no mesmo dia, sob a prioridade para a saúde da Sofia. Fomos ao hospital e nos internamos. A luz voltou, mas já não podíamos sair porque tínhamos que esperar pela alta”, narrou Daylyana, que relatou a dificuldade de descer todos aqueles andares em situação de risco e insegurança.
Para evitar que situações semelhantes ocorram novamente, a família investiu em um equipamento de nobreak para garantir que o tratamento aconteça em casa. O valor desse novo aparato foi de R$ 1,2 mil. Daylyana enfatizou a importância do conforto e bem-estar da filha durante o tratamento:
“Desligar a máquina após o procedimento não é simples, pois há alto risco de infecção. Não é tão simples ligar e desligar.”
Após a difícil experiência, o plano da família é garantir a continuidade das sessões de diálise em casa, seguindo todos os procedimentos necessários para que a saúde de Maria Sofia não seja comprometida. De acordo com a mãe, a resposta da Enel sobre a demora no religamento da energia ainda não foi recebida, evidenciando a falta de comunicação e eficácia no serviço prestado.
A situação enfrentada pela menina e sua família destaca não apenas os desafios da saúde pública, mas também a fragilidade dos serviços essenciais em situações de emergência, exigindo maior atenção das autoridades e das empresas responsáveis pelo fornecimento de energia.

