Entrevista: Isnaldo Bulhões discute tensões políticas no Congresso
O deputado Isnaldo Bulhões, líder do MDB na Câmara dos Deputados, fez críticas contundentes ao ex-presidente Arthur Lira e defendeu a atual gestão de Hugo Motta. A entrevista, concedida ao GLOBO, abordou a recente tentativa de cassação do deputado Glauber Braga, bem como a relação entre o governo Lula e o Congresso Nacional.
Bulhões afirmou que gostaria de ver um maior respeito à condução de Motta, destacando que Lira parece ter saudades do poder que exerceu. Segundo o deputado, “a cassação de Glauber não ocorreu por capricho de Lira, que ainda não se deu conta de sua nova posição como ex-presidente da Câmara”. Bulhões acredita que as críticas de Lira ao atual presidente estão desalinhadas com a realidade da gestão.
"A Câmara decidiu pautar o caso e não houve derrota para Motta, mas sim para quem tentou a cassação sem base real", disse Bulhões, enfatizando a importância do respeito entre os líderes. Ele também comentou sobre a necessidade de um diálogo mais forte entre o governo e o Congresso, especialmente em questões fiscais e orçamentárias.
A crise entre poderes e suas implicações
O deputado ainda abordou a recente decisão do STF, que determinou a cassação da deputada Carla Zambelli, e como isso afetou a relação entre os poderes. Bulhões ponderou que o caminho político que Hugo Motta tomou, ao levar o caso ao plenário, foi necessário e respeitoso. "É fundamental encontrar um entendimento entre o Executivo e o Judiciário, pois a política é carregada de nuances e demandas", afirmou.
Ele também se manifestou sobre as investigações relacionadas a emendas envolvendo parlamentares e como isso poderia levar a uma crise institucional. "Se o processo de investigação seguir dentro dos parâmetros legais, não considero que isso deva ser visto como uma crise institucional", disse Bulhões, ressaltando a importância de respeitar os caminhos legais.
Expectativas para a agenda econômica e a articulação política
A equipe do ministro Fernando Haddad, responsável pela Fazenda, busca aprovar projetos que contribuam para o resultado fiscal do governo, o que inclui a revisão de renúncias fiscais e a taxação de diversas atividades. Bulhões expressou otimismo em torno da possibilidade de chegar a um acordo favorável para a votação do Orçamento. "O problema não é o tempo, mas sim o acordo necessário entre as partes envolvidas", declarou.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias, que recentemente foi aprovada, trouxe à tona as queixas do presidente Lula sobre a influência do Congresso nas decisões orçamentárias. "Acredito que a representatividade do Legislativo em questões orçamentárias é legítima, uma vez que quem está na ponta entende melhor as necessidades", disse Bulhões, buscando equilibrar a relação entre os dois poderes.
Desafios da articulação política do governo
Ao ser questionado sobre a atuação da ministra Gleisi Hoffmann nas relações institucionais, Bulhões reconheceu seus esforços, mas argumentou que é necessário que a Esplanada ouça mais as demandas do setor de Relações Institucionais. "É fundamental uma articulação mais clara e conjunta entre todos os ministérios para garantir uma comunicação efetiva com o Congresso", acrescentou.
Finalmente, Bulhões abordou a recente aprovação do projeto que reduz penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e comentou a suposta ligação dessa decisão com as candidaturas futuras dentro do cenário político. Ele reforçou a posição de que a Câmara deve agir com cautela e clareza em suas votações.
A entrevista de Isnaldo Bulhões revela a complexidade da dinâmica política atual no Brasil e enfatiza a importância do diálogo e do respeito mútuo entre os parlamentares e o governo, elementos essenciais para que o país encontre um caminho para as suas questões orçamentárias e fiscais.