São Paulo enfrenta apagão histórico e ação judicial contra Enel
São Paulo vive uma situação caótica, completando o quarto dia sem energia elétrica, afetando centenas de milhares de imóveis. A concessionária Enel, responsável pelo fornecimento de energia na região, está sob pressão judicial após a ocorrência de um apagão que prejudicou ceias de Natal e cuidados médicos essenciais.
Na última quarta-feira, um vendaval histórico causou severos danos à infraestrutura elétrica, resultando em um apagão que inicialmente deixou 2,2 milhões de endereços sem luz, o que corresponde a 25% do total de ligações ativas na capital. Apesar de alguns serviços terem sido religados, até a sexta-feira cerca de 640 mil imóveis permaneciam sem energia. O Ministério Público e a Defensoria Pública exigiram, por meio de ação judicial, a normalização do fornecimento de energia, sob pena de uma multa de R$ 200 mil por hora.
Moradores estão enfrentando prejuízos significativos, incluindo a perda de alimentos e dificuldades em ter acesso a cuidados médicos. "Quando a luz acaba, não é apenas um incômodo; é um desastre. A ceia de Natal que preparei foi totalmente perdida", relata Helena, uma das afetadas, ressaltando a angústia de muitos que perderam mantimentos.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticou a Enel, alegando que a companhia não tem conseguido manter uma operação eficaz para lidar com a situação de emergência. Ele afirmou que houve uma discrepância entre o número de equipes prometidas pela Enel e a realidade, citando dados obtidos por um sistema de monitoramento na cidade que indicavam a presença de menos de 40 veículos da empresa em operação, em vez dos 1.500 que a concessionária afirmou estar em campo.
Em resposta à crise, Nunes se juntou ao governador Tarcísio de Freitas para exigir uma intervenção na Enel e a revisão do contrato da empresa, afirmando que é hora de tomar uma ação drástica. "Chegou o momento de dar um basta e virar essa página. Precisamos conversar com o governo federal", disse ele.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também manifestou preocupação com a situação, apontando que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve tomar medidas rigorosas para garantir a proteção dos consumidores. Durante um seminário em São Paulo, ele destacou a importância de a agência agir como órgão regulador e fiscalizador, defendendo que a situação de crise energética atual não pode se repetir.
Diante da ineficiência da Concessionária, várias histórias de desespero surgem entre os moradores. Uma delas é a da jovem Maria Sofia Araújo Freiria, de 12 anos, que, devido à falta de energia, teve que descer 14 andares para chegar ao Hospital das Clínicas, pois ela depende de tratamento renal. Sua mãe, Daylyana, acompanha a filha na corrida ao hospital, ressaltando a urgência da religação da energia.
Além disso, a falta de luz tem causado desespero em famílias que cuidam de idosos ou pessoas com necessidade de assistência médica. O produtor de eventos Luiz Felipe Lima, responsável por cuidar de seus pais idosos, descreve a situação: "Três dias sem luz, e a gente liga para a Enel e só consegue conversar com um robô que não nos leva a um atendente".
Os relatos de moradores são comuns nas redes sociais, onde muitos compartilham suas experiências e exibem imagens de seus alimentos estragados, ressaltando a tragédia e o desperdício gerados pela falta de luz. A situação se configura não apenas como um problema de infra-estrutura, mas como um profundo desafio humanitário que clama por soluções eficazes e imediatas.
A expectativa da população agora é que as promessas de normalização da energia se concretizem, para que a cidade possa retomar sua rotina e garantir que todos tenham acesso a serviços essenciais, especialmente neste momento crítico que deveria ser de celebração e união.