Zelenski e Europeus Buscam Mitigar Concessões a Rússia
O presidente ucraniano, Volodímir Zelenski, se reuniu neste domingo em Berlim com o enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e o cunhado de Donald Trump, Jared Kushner, com o chanceler alemão Friedrich Merz presente. O objetivo central dessas negociações é garantir que qualquer acordo de paz em potencial não preveja concessões prejudiciais à Ucrânia em relação à Rússia.
Trump almeja anunciar a paz na Ucrânia ainda em dezembro. Com a possibilidade de que o presidente americano faça ceder rapidamente às exigências russas, Zelenski e seus aliados europeus estão trabalhando para suavizar essas concessões. Merz, ao iniciar dois dias de reuniões, recebeu Zelenski e os representantes de Trump em Berlim. As discussões se concentram na segurança dos ucranianos e nas possíveis renúncias territoriais que Kiev poderia ter que fazer.
Em uma conversa com jornalistas antes de chegar a Berlim, Zelenski afirmou que, em vez de solicitar a adesão à OTAN, estaria disposto a considerar uma proteção equivalente ao artigo 5 da Aliança Atlântica, que define que um ataque a um membro deve ser visto como um ataque a todos os aliados. O presidente ucraniano também se mostrou receptivo à criação de uma zona desmilitarizada na região de Dombás, em grande parte ocupada pela Rússia. A premissa central é que quaisquer concessões territoriais só acontecerão se houver garantias de segurança por parte da Europa e dos EUA.
A urgência das negociações é percebida nas capitais europeias, uma vez que há preocupações de que Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, possam chegar a um acordo sem a participação da Ucrânia ou da Europa. A situação interna de Zelenski, a força militar da Rússia e o apressado desejo de Trump de anunciar um acordo dificultam a postura de Kiev, levando à necessidade de ações imediatas para mitigar danos potenciais. Este foi o propósito de Merz ao reunir Zelenski, seus colegas europeus e a delegação americana.
Merz tem buscado assumir um papel de liderança europeu, anteriormente ocupado pelo presidente francês Emmanuel Macron, que agora está em seu mandato final. Desde a sua posse em maio, o chanceler alemão tem liderado um plano de rearmamento europeu, diante da hostilidade de Trump e da ameaça russa, além de ter aberto a possibilidade de reintrodução do serviço militar obrigatório. Durante um discurso em Munique, Merz comparou as ambições territoriais de Putin com as de Adolf Hitler na conquista da região germano-hablante da Checoslováquia em 1938, quando as potências ocidentais não reagiram a tempo. Em Berlim, as discussões girarão em torno das concessões territoriais que a Rússia e, possivelmente, os Estados Unidos exigiriam de Kiev. Merz alertou: “Se a Ucrânia cair, não pararão por aí.”
A agenda do domingo incluiu várias idas e vindas entre o hotel Adlon, no centro de Berlim, e a sede da Chancelaria Federal. A cúpula europeia programada para a segunda-feira contará com a presença de figuras como Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. Este encontro ocorre na véspera de outra cúpula, onde a UE decidirá sobre o uso de ativos russos congelados para ajudar a Ucrânia, após semanas de discussões em torno do plano de 28 pontos elaborado por Witkoff e Kirill Dmitriev, estreito colaborador de Putin.
A presença de Witkoff, um dos conselheiros mais próximos de Trump em relação a Putin, e de Kushner, foi interpretada na Alemanha como um sinal positivo de que as negociações podem avançar. A Casa Branca indicou que não enviaria ninguém para a reunião se não acreditasse na possibilidade de resultados. Ambos se sentem legitimados na mediação após terem obtido um cessar-fogo em Gaza. Contudo, Witkoff, um empresário de Nova Iorque sem experiência diplomática, gera desconfiança profunda entre os europeus e em Kiev, devido às suas posições que muitas vezes alinham-se com as do Kremlin em momentos decisivos. Seu plano inicial, elaborado em colaboração com o Kremlin e mais tarde moderado, impunha a Kiev concessões territoriais severas, além de limitar sua capacidade de defesa futura e propor uma anistia para crimes cometidos durante a guerra.