Meditação Como Nova Abordagem para Dor Crônica
Um estudo recente realizado pela Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto revelou que a prática regular de meditação pode ter um impacto significativo na diminuição da dor crônica em mulheres com Disfunção Temporomandibular (DTM). A pesquisa acompanhou 53 mulheres com idades entre 18 e 61 anos ao longo de oito semanas, destacando melhorias não apenas na percepção da dor, mas também na qualidade de vida das participantes.
A Disfunção Temporomandibular é uma condição que afeta as articulações que controlam a movimentação da mandíbula, podendo provocar sintomas como estalos ao abrir a boca, dificuldade para mastigar e dores que afetam não apenas a mandíbula, mas também a cabeça e ouvidos. De acordo com especialistas, a DTM é entre duas a três vezes mais comum em mulheres e, quando se torna crônica, pode modificar a forma como o sistema nervoso central percebe a dor.
Metodologia da Pesquisa
Durante o estudo, as participantes foram divididas em dois grupos: um grupo que participou de sessões de mindfulness semanais, que incluíram práticas de respiração e meditação, e um grupo controle que não recebeu qualquer intervenção. As sessões de meditação começaram com cinco minutos diários e aumentaram progressivamente, chegando a 30 minutos por dia ao longo das oito semanas.
Os pesquisadores realizaram avaliações do limiar de dor, utilizando pressão gradual em pontos específicos do corpo, e também analisaram exames de sangue para medir marcadores inflamatórios. Segundo Melissa de Oliveira Melchior, uma das pesquisadoras, foi identificado que as mulheres que praticaram meditação apresentaram uma notável alteração na sensibilidade à dor. “Após a intervenção, as participantes conseguiram suportar uma maior pressão antes de sentir dor, indicando uma clara diminuição da sensibilidade”, afirmou.
Resultados e Benefícios Observados
Os resultados do estudo foram promissores. As participantes que se dedicaram à prática de mindfulness não apenas relataram uma redução na dor, mas também mostraram melhorias em marcadores biológicos, incluindo:
- Diminuição de marcadores inflamatórios;
- Redução do estresse oxidativo;
- Aumento de marcadores de neuroplasticidade, que sugerem respostas benéficas do cérebro no manejo da dor.
Além das melhorias clínicas e biológicas, as voluntárias expressaram um impacto positivo em sua qualidade de vida e na regulação emocional. Edilaine Gherardi Donato, coordenadora da pesquisa, destacou que a meditação permitiu às participantes uma nova perspectiva em relação à dor. "A dor continua presente, mas não domina a atenção. Isso cria espaço para o autocuidado e a gestão de emoções negativas", explicou.
Implicações para Tratamentos Futuros
Esse estudo reforça a importância de se considerar abordagens multidimensionais no tratamento da DTM. Embora os tratamentos convencionais ainda sejam essenciais, a inclusão da meditação e de técnicas integrativas pode levar a uma melhoria significativa na qualidade de vida das pacientes. Desde 2017, a meditação é reconhecida no Brasil como uma prática integrativa e complementar de saúde, podendo ser oferecida em unidades do SUS.
Maria Fernanda Capeli, uma das participantes, compartilhou sua experiência: "Integrar a meditação na rotina foi fundamental para mim, pois ela realmente traz benefícios se se torna parte do seu dia a dia".
Nosso entendimento sobre como a mente e o corpo interagem está em constante evolução, e este estudo é um passo importante em direção a tratamentos mais holísticos para condições crônicas de dor.