Polêmica em creche particular de São José do Rio Preto
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar denúncias de maus-tratos contra crianças em uma creche particular de São José do Rio Preto (SP). O caso veio à tona após uma ex-funcionária esconder um bilhete em uma mamadeira, alertando a mãe de que seu filho, de dois anos e com autismo nível 2, estaria entre as vítimas.
A direção da creche, em nota, desmentiu as alegações, afirmando que as imagens divulgadas foram retiradas de contexto e distorcidas, que nenhuma criança foi vítima de violência e que o local mantém padrões adequados de cuidado.
De acordo com a mãe da criança, ao procurar a delegacia, ela revelou que não viu o bilhete imediatamente. Entretanto, foi contactada pela berçarista nas redes sociais e recebeu conteúdos que indicavam possíveis abusos. Um dos bilhetes, encontrado na mamadeira na sexta-feira (12), dizia: “Me chama, preciso falar com você urgente sobre os cuidados do seu filho”.
Relatos indicam que a criança foi deixada sozinha em uma sala sem refrigeração. Imagens enviadas por uma ex-funcionária mostram o menino dormindo e suando, com sinais de descuido. A mãe disse que o garoto estava com fezes e isolado em uma cadeira de refeição.
Além disso, a ex-funcionária relatou condições insalubres de higiene e armazenamento inadequado de alimentos, destacando que presenciou gritos e xingamentos direcionados às crianças durante seu curto período de trabalho na creche.
A mãe afirmou que começou a suspeitar do mau atendimento após notar um comportamento agressivo no filho, que estava sob tratamento e usando medicação. Com isso, além de registrar a queixa à polícia, ela procurou um advogado para formalizar a denúncia em âmbito civil. Até o momento, pelo menos dez mães se dirigiram à delegacia para relatar situações semelhantes.
Por sua vez, a Secretaria Municipal de Educação de São José do Rio Preto esclareceu que a creche em questão não possui registro como escola de educação infantil e, portanto, não é supervisionada pela secretaria. Trata-se de uma empresa registrada apenas como recreação e lazer, que não se enquadra no sistema de ensino municipal. Para funcionar como escola de educação infantil, é necessário apresentar um requerimento formal com documentação, incluindo proposta pedagógica e licenças adequadas.
A direção da creche reafirmou que as imagens e informações veiculadas não representavam a rotina da instituição e que as denúncias não condizem com os padrões de cuidado que sempre foram praticados.
"O material divulgado não reflete a rotina, os valores, nem o padrão de cuidado adotado pela escola ao longo de sua trajetória",diz o comunicado da direção da creche.
O delegado Amaury Scheffer de Oliveira Junior, do 4º e 6º Distrito Policial de São José do Rio Preto, confirmou que o inquérito foi instaurado e que algumas mães foram ouvidas. A investigação está em andamento e será conduzida pelas equipes da Polícia Civil.