Investigação sobre o assassinato da policial Gisele Alves
A Polícia Técnico-Científica de São Paulo elaborou cerca de 24 laudos periciais em menos de um mês para esclarecer a morte da policial militar Gisele Alves, que foi assassinada com um tiro na cabeça pelo seu marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. O crime ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento do casal localizado no Brás, região central da capital paulista. O inquérito policial, que considerou a morte como um caso de feminicídio e fraude processual, foi encerrado recentemente.
No início, a morte de Gisele foi investigada como um suicídio, mas a evolução da apuração reorientou a investigação. O 8º Distrito Policial (DP) no Brás indiciou Geraldo Neto pelos crimes e solicitou à Justiça a sua prisão preventiva, um pedido que foi apoiado pelo Ministério Público de São Paulo. A Corregedoria da PM também requisitou a prisão do coronel. Até o presente momento, a defesa do coronel não foi localizada para comentar o caso.
Os laudos periciais desempenharam um papel crucial na reclassificação do caso. Os indícios coletados nos laudos foram determinantes para que o delegado concluísse que Gisele não se suicidou. Entre os elementos analisados estavam a trajetória da bala que atingiu a cabeça e a profundidade dos ferimentos encontrados. O delegado da investigação afirmou que a evidência técnica contradiz a hipótese de suicídio.
Segundo especialistas ouvidos, o número de laudos gerados no caso é considerado alto em comparação com investigações semelhantes. Ao total, foram cerca de 70 páginas de dados técnicos e científicos, resultado de laudos complementares e novos exames. Roselle Soglio, advogada especializada em perícias criminais, comentou sobre a necessidade de rigor no processo, destacando que a pressa contínua poderá gerar mais incertezas nas conclusões.
A perita criminal aposentada, Celia Corrigliano, mencionou que a repercussão do caso exigiu um ritmo mais ágil nas análises. "Casos que envolvem morte por tiro demandam maior atenção e múltiplas análises", enfatizou a especialista.
Os resultados dos exames necroscópicos, toxicológicos e de exumação foram cruciais para a conclusão de que Geraldo havia matado Gisele por questões de ciúmes e possessividade. Os laudos revelaram detalhes relevantes, tais como:
- Necroscópico: identificou marcas de dedos no pescoço de Gisele e que ela havia desmaiado antes do disparo fatal.
- Trajetória do tiro: confirmou que o disparo foi realizado de baixo para cima, com a arma próxima à sua cabeça.