Inteligência Artificial e o Futuro da Criatividade
Os criadores de conteúdo para a internet reconhecem que a tecnologia deve sempre contar com a intervenção humana e ser utilizada de maneira responsável. No evento Voices 2025, especialistas discutiram o impacto da inteligência artificial (IA) na criatividade e na produção de conteúdo.
Hallison Paz, pesquisador em inteligência artificial, enfatizou a importância do uso responsável da tecnologia. Segundo ele, a IA pode tanto potencializar talentos quanto ser utilizada de forma a manipular sistemas com o objetivo de obter lucros. "Cabe a nós cobrar o uso com responsabilidade", afirmou.
Outro especialista presente no debate, Brunno Sarttori, jornalista e especialista em deep fakes, demonstrou um otimismo cauteloso em relação ao futuro da IA. Ele acredita que a tecnologia permitirá a criação de roteiros quase tão sofisticados quanto aqueles elaborados por humanos, ressaltando a demanda por originalidade. "Fico olhando o meu computador hoje e tenho certeza de que, em breve, poderei pedir a ele que faça algo que parece ser feito por mim", comentou.
Sarttori compartilhou sua experiência ao utilizar IA para produção de conteúdo desde 2018, quando criou paródias virtuais que envolviam rostos de políticos locais. Ele ressaltou que o aumento da intimidade da população com a tecnologia é fundamental: "Quanto mais contato a pessoa tem, maior a chance de ela perceber os componentes gerativos da IA e suas potenciais distorções de realidade."
O ator e roteirista Digão Ribeiro propôs que a IA pode democratizar a produção de conteúdo e criar um espaço virtual mais poderoso que o físico. Durante o debate, ele questionou um modelo de trabalho e ética suportado por valores patriarcais, utilizando o ChatGPT como ferramenta de reflexão. Ele relatou que a IA não conseguiu responder inicialmente à sua pergunta, evidenciando as limitações atuais da tecnologia: "Depois de um tempo, ele trouxe referências que geraram amplo debate em minha rede sobre o tema."
Os três especialistas participaram de uma discussão mediada por Tainah Tavares, editora-chefe do portal de tecnologia TechTudo. Quando questionados sobre o que a IA ainda não pode fazer, Hallison mencionou a falta de capacidade da IA em reproduzir leis naturais e o distanciamento das ferramentas atuais em alcançar o que chamamos de inteligência artificial geral. Ele citou o exemplo de crianças que aprendem a andar através da experiência, ressaltando que a IA ainda está longe de tal aprendizado.
Desafios Éticos e Futuras Perspectivas
Além disso, Hallison destacou a necessidade de se estabelecer limites na utilização da IA. "Quem deve se responsabilizar por isso?", questionou. O debate sobre a responsabilidade pelo uso da tecnologia e a questão do plágio certamente continuará nos próximos anos, à medida que a IA se torne cada vez mais integrada ao processo criativo.
Os especialistas concordam que, embora a IA ofereça novas possibilidades, o talento humano, a criatividade e a originalidade ainda são fundamentais para a produção de conteúdo de qualidade.