França e Itália colocam em risco acordo da UE com Mercosul
O acordo entre a União Europeia (UE) e os países do Mercosul promete criar a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo mais de 700 milhões de consumidores. No entanto, a expectativa está ameaçada pelo veto da França e incertezas da Itália, que podem inviabilizar a assinatura do pacto tão aguardado.
Após 25 anos de negociações, o acordo, que já estava prestes a ser firmado, encontra-se em uma situação crítica. O cronograma estabelecido pelas instituições europeias previu a votação de cláusulas de salvaguarda para produtos europeus, mas a nova posição do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, em solicitar o adiamento da votação pegou a todos de surpresa e abalará as negociações.
“Não estão dadas as condições para uma votação do Conselho da UE sobre a autorização da assinatura do acordo”, afirmou Lecornu, demonstrando um cenário adverso para o pacto em um momento já desafiador para o governo de Emmanuel Macron. Por sua vez, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, expressou que prefere não votar nesta semana em preocupação com possíveis reações de agricultores italianos.
Sem o apoio da França, uma das nações que mais se beneficiou da negociação, e da Itália, o acordo poderá encontrar sérios obstáculos. É necessário um respaldo de países em termos populacionais para que o pacto avance. Com a Polônia já se posicionando contra, a soma de votos se torna complicada.
A situação é ainda mais decepcionante para a Itália, que é um dos países que mais profitariam com o acordo, tendo um comércio anual com o Mercosul de cerca de 16,4 bilhões de euros. O pacto elimina tarifas sobre 91% dos produtos, o que representa uma grande oportunidade econômica.
A pressão está em alta. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, alertou que a falta de um acordo deixará a Europa isolada no mundo e que não se pode apenas discutir teorias sobre as tensões entre os Estados Unidos e a China. “Precisamos agir”, disse Costa em uma conferência em Paris.
Por outro lado, os opositores do acordo argumentam que ele poderá prejudicar agricultores europeus ao inundar o mercado com produtos mais baratos. Embora a Comissão Europeia tenha introduzido novas auditorias e salvaguardas para proteger o setor, as preocupações persistem.
A Alemanha e a Espanha, defensores do pacto, ressaltam que é uma chance valiosa para estreitar os laços comerciais com parceiros confiáveis e buscar alternativas para reduzir a dependência da China. A não assinatura do acordo poderia resultar em um fortalecimento das relações comerciais entre o Mercosul e Pequim, o que não favoreceria a UE em um contexto geopolítico em mudança.
O desfecho desse embate político não apenas impactará a economia interna de cada país envolvido mas também refletirá na reputação da UE no cenário global, especialmente em um momento crucial, onde a Europa deve se posicionar em meio às tensões internacionais que envolvem a Rússia e a Ucrânia.
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