Ouro: Tendência de Alta até 2026
Os preços do ouro alcançaram máximas recordes este ano, marcando seu melhor desempenho anual desde 1979. O metal precioso quebrou a barreira de R$ 4.500,00 por onça em 2025, com seu rally ganhando força histórica. Uma moeda americana mais fraca, incertezas políticas e a demanda de bancos centrais estão impulsionando uma mudança estrutural nos mercados de ouro.
O ouro deve permanecer forte por conta dos motores dessa alta serem estruturais, e não meramente reativos, segundo analistas. "Ouro não precisa de uma crise para subir em 2026. Ele simplesmente precisa que o mundo se comporte como tem se comportado até agora: dívida elevada, incertezas políticas, alianças frágeis e um dólar que já não domina como antes", escreveu Farah Mourad, analista de mercado da IG, uma plataforma de trading.
"Nesse ambiente, o ouro não persegue o medo — ele o absorve", acrescentou Mourad.
A IG não forneceu uma previsão de preços, mas observou que grandes bancos esperam que o ouro seja negociado na faixa de R$ 4.500 a R$ 4.700 por onça no próximo ano, com potencial de alta em direção aos R$ 5.000, se as condições macroeconômicas persistirem.
A política monetária pode fornecer suporte adicional. Com a inflação mostrando uma resistência e o crescimento de maneira desigual, os mercados esperam cada vez mais que as taxas de juros diminuam ao longo do tempo. Isso é importante para o ouro, que tende a ter um desempenho melhor quando os rendimentos reais caem e o custo de oportunidade de manter ativos que não geram retornos diminui.
Entretanto, há riscos. Uma recuperação mais forte do que o esperado no dólar americano ou um retorno sustentado ao sentimento de risco pode desacelerar o avanço do ouro. No entanto, a posição dos investidores em ouro continua relativamente equilibrada em comparação com picos anteriores, sugerindo que a negociação ainda não está superlotada, conforme observou Mourad.
Essa perspectiva alinha-se com as previsões de grandes bancos. "Esperamos que os preços do ouro atinjam mais máximas em 2026", escreveu Ewa Manthey, estrategista de commodities do ING, no início deste mês.
Fatores que podem estender a alta do ouro incluem a provável escolha do presidente Donald Trump para um novo presidente do Fed, que esteja inclinado a buscar taxas de juros mais baixas. Ela acrescentou que o ouro provavelmente encontrará suporte em correções.
"Esperamos que a desvalorização seja limitada, pois qualquer fraqueza provavelmente atrairá um interesse renovado tanto de compradores de varejo quanto institucionais", acrescentou Manthey.
Por fim, o gigante de Wall Street Goldman Sachs prevê que os preços do ouro possam subir para R$ 4.900 por onça até dezembro de 2026.
A alta do ouro este ano contribuiu para ganhos em outros metais preciosos também. Os preços à vista da prata também atingiram máximas históricas este ano, sendo negociados cerca de 147% mais altos em relação ao ano anterior, em torno de R$ 72 por onça.
Enquanto isso, o platina à vista também alcançou um recorde histórico e está subindo cerca de 159% este ano, sendo negociado em torno de R$ 2.342 por onça.