Conflito entre ministérios sobre as cooperativas de crédito éticas
O Ministério de Trabalho e Economia Social da Espanha, liderado por Yolanda Díaz, trouxe uma proposta inovadora que visa promover as cooperativas de crédito éticas. Este projeto foi anunciado em outubro do ano passado e está buscando estabelecer um decreto que favoreça financeiramente as instituições que operam com responsabilidade social.
O decreto intitulado "de fomento e promoção das entidades financeiras da economia social e das finanças éticas" já passou pela fase de informação pública, mas encontra-se estagnado no Conselho de Ministros. Fontes dentro do Ministério de Trabalho apontam que o Ministério da Economia, sob a liderança de Carlos Cuerpo, está bloqueando a proposta, especialmente ao tentar excluir as cooperativas de crédito, um componente essencial para a economia social.
Divisão entre ministérios
As tensões entre os ministérios de Trabalho e Economia não são novas. Por diversos momentos na história recente do governo espanhol, houve discordâncias sobre diversas questões sociais e econômicas. Neste caso específico, a proposta de Díaz inclui critérios que destacam a responsabilidade social e que devem ser seguidos para determinar se uma instituição financeira pode ser considerada ética.
Os critérios incluem: priorização do impacto social e ambiental, reinvestimento de pelo menos 75% dos lucros no fortalecimento da própria entidade e a implementação de políticas que reduzam a disparidade salarial entre os empregados.
A importância das cooperativas de crédito
As cooperativas como o Grupo Caja Rural e Coop57 são exemplos de instituições que poderiam se beneficiar do decreto se forem mantidas na proposta final. O governo argumenta que a exclusão dessas entidades tornaria o projeto irrelevante, uma vez que elas representam uma parte significativa das finanças éticas na Espanha.
Avanços e desafios do projeto
Ainda que existam tensões, relatos indicam que o Ministério da Economia já aceitou várias emendas propostas pelo Ministério de Trabalho. Assim, um órgão especializado em finanças sustentáveis seria criado, supervisionado pelo departamento econômico. Entretanto, a resistência em manter as cooperativas de crédito no decreto continua sendo um grandíssimo obstáculo.
Sem previsões de sanções
O projeto não prevê punições para as instituições que não cumprirem os critérios estabelecidos, refletindo sua intenção de promover a educação e o engajamento em vez de penalizar. Além disso, qualquer iniciativa desse tipo precisa passar pela Comissão Delegada do Governo para Assuntos Econômicos, que está sob o controle do Ministério da Economia.
As críticas não se limitam apenas à falta de avanços no decreto, mas também se estendem a alertas da Comissão Nacional de Mercados e da Concorrência (CNMC), que apontou que a proposta carece de clareza e deve seguir as normas da União Europeia em relação a possíveis auxílios de Estado.
Responsabilidade social como estratégia
A proposta se alinha a uma estratégia de maior responsabilidade social e corporativa, buscando reforçar a ética nas finanças. O projeto do Ministério de Trabalho espera um resultado positivo para a sociedade como um todo e uma positiva mudança nos padrões das instituições financeiras que operam na Espanha.
Conforme essa iniciativa avança, o governo se vê na necessidade de criar um ambiente mais favorável às práticas éticas e responsáveis, desafiando as narrativas tradicionais do setor financeiro.