Investigação revela irregularidades no Banco Master
O Banco Master, atualmente sob investigação por suspeita de fraude, admitiu ao Banco Central do Brasil (BC) desconhecer informações sobre as garantias de empréstimos administrados pela Reag, sua gestora de investimentos. A suspeita gira em torno da concessão de créditos sem a devida amortização, utilizando valores reciclados entre fundos, resultando em uma rentabilidade aparentemente irreal.
Um dos casos mais emblemáticos nesse escândalo é um empréstimo de R$ 459 milhões, que ilustra a falta de controle adequado nas operações do banco. De acordo com relatos, o Master confirmou ao BC que não possuía informações sobre os fundos geridos pela Reag que garantiam os empréstimos. Essas operações de crédito estão sendo investigadas pela Polícia Federal (PF) por indícios de fraude, enquanto Master e Reag, que foram liquidadas pelo BC, negam qualquer irregularidade em suas ações.
As investigações buscam esclarecer se o Banco Master estava concedendo empréstimos a empresas que não cumpriam com os pagamentos, gerando receitas apenas no papel. Frequentemente, os prazos de carência para o início dos pagamentos eram prorrogados, e segundo o inquérito da PF, “não houve efetivo pagamento de juros nem amortização” dos empréstimos concedidos.
Os investigadores também apontam que, após a liberação dos empréstimos, os recursos eram rapidamente repassados a fundos administrados pela Reag, que, por sua vez, simulavam rentabilidades irregulares. Após essa movimentação, o dinheiro retornava ao Banco Master através de aplicações, levantando sérias preocupações sobre a falta de fiscalização e controle sobre essas operações.
Em uma análise detalhada do fluxo financeiro, o BC solicitou ao Master informações sobre os controles implementados para monitorar a evolução dos projetos e os valores liberados para cada cliente. O banco respondeu que não tinha tais informações, sugerindo que o BC questionasse a Reag. Esta alegação alarmou o Banco Central, que destacou que o Master deveria receber relatórios sobre a evolução das garantias dos empréstimos a cada 30 dias. Essa situação, conforme relatou a entidade, “evidencia a falta de adequado acompanhamento das operações estruturadas por parte do Banco Master”.
Além disso, um documento enviado pelo Banco Central ao Ministério Público Federal (MPF) intensificou as preocupações ao mencionar que as operações entre o Master e a Reag envolviam uma “reavaliação indevida de ativos”, o que permitiu aos fundos de investimento obter rentabilidades extraordinárias. Um caso notável é o empréstimo de R$ 459 milhões destinado à Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias, empresa dirigida por uma ex-funcionária da Reag.
De acordo com informações reveladas pelo O GLOBO, assim que a Brain Realty recebeu os R$ 459 milhões, os fundos foram repassados para o Fundo Brain Cash, criado pela Reag apenas 20 dias antes, e que possuía um patrimônio inicial de R$ 15 mil. A aplicação de R$ 450 milhões no fundo Brain Cash foi feita de forma rápida, pois uma hora e meia depois, os recursos foram transferidos para o Fundo D Mais, também vinculado à Reag. Em questão de poucos minutos, o Fundo D Mais transferiu R$ 450 milhões ao FIDC High Tower, a fim de liquidar parte de uma aquisição de papéis do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).
O fundo D Mais, conforme a investigação, reavaliou esses ativos de baixa liquidez para R$ 10,8 bilhões, registrando uma rentabilidade estrondosa de 10.502.205% em 2024. Para contextualizar, durante o mesmo período, a maior criptomoeda do mundo rendeu aproximadamente 120% em dólar, enquanto o ouro valorizou 61,6% em reais.
A Polícia Federal segue investigando a possibilidade de que, após a circulação através das estruturas administradas pela Reag, os recursos retornaram ao Banco Master por meio da aquisição de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que é a principal forma de captação do banco no mercado financeiro.