Lula propõe solução diplomática para a guerra na Ucrânia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu, nesta terça-feira, 3, que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia permanece sem solução porque falta coragem ao líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, para reconhecer que será necessário ceder territórios. O brasileiro defende há anos que a resolução do conflito pode ser alcançada pela via diplomática.
Durante uma conferência em São Paulo, Lula destacou:
"Por que vocês acham que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia ainda não acabou? A situação está dada. O Putin sabe que ele vai ficar com o que ele já ocupou e o Zelensky sabe que ele não vai ficar com o que ele já perdeu. Acontece que é preciso ter coragem para assumir esse fato."
A declaração foi feita em sua participação na 2ª Conferência Nacional do Trabalho, um evento que reúne representantes de sindicatos de trabalhadores, empresários e do governo. Durante o encontro, ele fez uma analogia entre as negociações entre patrões e empregados, ressaltando a importância de encontrar um consenso que beneficie ambas as partes.
"Quem é sindicalista sabe o acordo que é possível, mas, muitas vezes, não se tem coragem de falar na assembleia. O que estamos tentando é construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e a trabalhadores, que interessa ao país, para dar mais comodidade nesse mundo nervoso e as pessoas tenham mais tempo de estudar, de ficar com a família e de descansar", comparou Lula.
A relação entre Lula e Zelensky tem sido marcada por tensões desde o início da guerra na Ucrânia. Em outras ocasiões, o presidente brasileiro fez declarações indicando que tanto a Rússia quanto a Ucrânia possuem responsabilidade pelo conflito, iniciado pela invasão das tropas russas. Isso gerou reações internacionais e acusações de que o Brasil estaria alinhado à Rússia, algo que o Itamaraty refuta.
No passado, durante a assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro do ano passado, Lula e Zelensky se encontraram. Na ocasião, o presidente brasileiro reiterou sua crença de que uma solução militar não seria possível, preferindo o diálogo entre as partes. Zelensky, por sua vez, agradeceu a Lula por sua "posição clara" em favor da paz na região.
As negociações para um possível acordo de paz têm recebido mediação dos Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, anteriormente, adotou uma postura ambígua sobre as etapas necessárias para um entendimento. Enquanto pressionava Zelensky a considerar as demandas de Putin, também manifestava crença em um contra-ataque ucraniano eficiente. Em setembro, ele escreveu: "Com tempo, paciência e o apoio financeiro da Europa, e em particular da Otan, as fronteiras originais, de onde esta guerra começou, são uma opção viável."