Lula se aproxima do MST e anuncia pacote para reforma agrária
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou 2025 e iniciou 2026 com uma nova estratégia política: reestabelecer laços com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e acelerar o processo de desapropriações. Após críticas e uma pressão crescente do movimento, o governo anunciou um pacote de R$ 2,7 bilhões destinado à reforma agrária, com o objetivo de resolver conflitos históricos no campo.
Durante a abertura do ano eleitoral, Lula foi claro ao afirmar que o governo pretende desbloquear novos assentamentos em várias partes do Brasil, especialmente em estados como São Paulo, Bahia, Pará, Pernambuco, Sergipe e Maranhão. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, destacou que estas ações são essenciais para resolver “conflitos antigos e históricos” que até hoje afetam milhares de famílias no país.
O investimento na reforma agrária foi revelado durante um importante encontro do MST em Salvador, onde Lula estava presente. A reaproximação com o movimento é considerada estratégica, visto que o MST, que criticou a lentidão do governo em ações agrárias, anunciou a intenção de lançar 18 candidatos ao Legislativo este ano, reforçando sua participação política na busca de melhorias para a classe trabalhadora rural.
Entre as terras que serão desapropriadas, destaca-se a Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo (MG), local que ficou marcado pela tragédia ocorrida em 2004, quando cinco trabalhadores do MST foram assassinados. O governo também informou sobre a conclusão do processo de assentamento na Fazenda Santa Lúcia, em Pau D'Arco (PA), que é lembrada por um massacre que deixou dez mortos em 2017. Teixeira defendeu a legalidade das ações ao afirmar: "Os novos assentamentos resolvem conflitos rurais e, assim, promovem a paz no campo. Não tem porque haver reação contrária, porque são assentamentos criados dentro da lei".
A relação entre o governo atual e o MST sempre foi marcada por altos e baixos. Em julho do ano passado, o movimento criticou abertamente a lentidão das ações do governo na área agrária. Isso desencadeou uma série de reuniões entre Lula e representantes do MST, culminando em novas entregas de títulos de regularização fundiária e um aumento das expectativas quanto ao número de assentamentos no país.
Em um evento recente, Lula reiterou sua intenção de fazer o máximo de assentamentos possíveis, apesar das dificuldades enfrentadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O presidente também sinalizou que pretende reunir agrupamentos rurais no próximo mês para discutir as entregas e as metas do governo para este ano.
Além disso, em outra frente de aproximação com o MST, Lula participou da cerimônia de encerramento do 14º Encontro Nacional do MST, onde incentivou a participação dos integrantes do movimento nas eleições. No atual cenário político, a aproximação com o MST pode representar não apenas um comprometimento com questões agrárias, mas também uma tentativa de solidificar alianças políticas para o fortalecimento do governo frente ao agronegócio, que se mostra cauteloso em relação aos novos investimentos na reforma agrária.
O atual contexto revela um momento crucial para a política brasileira em 2026, onde Lula busca uma nova dinâmica de dialogo e colaboração com setores que historicamente têm lutado por suas demandas, mostrando que a reforma agrária continua sendo uma pauta importante para o governo e para o desenvolvimento social no Brasil.