Pressão sobre Fernando Haddad para concorrer ao governo de São Paulo
O governo federal tem intensificado a pressão sobre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para que ele dispute o governo de São Paulo nas eleições de 2026. A preocupação central do Palácio do Planalto é a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficar com um palanque frágil no estado, o que poderia comprometer sua candidatura à reeleição. Neste cenário, Haddad é visto como essencial, devido ao seu desempenho nas eleições de 2022.
Apesar da resistência de Haddad, que já afirmou em várias ocasiões que não deseja ser candidato, o Partido dos Trabalhadores (PT) considera que ele é a única opção viável para encabeçar a chapa do presidente em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Lideranças do partido estão se esforçando para convencê-lo, enquanto citam outros nomes, como Geraldo Alckmin, como possibilidades para compor a chapa.
A avaliação das lideranças do PT é de que o desempenho de Haddad nas eleições de 2022 foi crucial para a vitória de Lula, que, contra Jair Bolsonaro, obteve 44,76% dos votos no segundo turno em São Paulo. Há um desejo no partido de que a votação no estado atinja um nível semelhante ao dos últimos pleitos, para garantir uma base forte para a reeleição de Lula.
Embora a possibilidade de Haddad derrotar o atual governador, Tarcísio de Freitas, seja considerada remota, a interpretação é de que um palanque robusto é necessário para evitar que o governador consiga se reeleger no primeiro turno ou obtenha uma grande margem de votos, cenário que pode prejudicar Lula em nível nacional.
Interlocutores próximos a Haddad afirmam que Lula não quer correr riscos e deverá designar ministros com forte influência política para liderar campanhas em estados estratégicos. Essas ações visam assegurar que, se necessário, haja uma "reserva" de aliados prontos para entrar na disputa.
Nos bastidores, nomes como Simone Tebet (Planejamento), Marina Silva (Meio Ambiente), Márcio França (Empreendedorismo) e o próprio Geraldo Alckmin estão sendo mencionados como possíveis integrantes da chapa, visando fortalecer a candidatura em São Paulo. Na avaliação de aliados de Lula, a divisão dos votos da esquerda entre vários candidatos poderia favorecer a candidatura da direita.
Além disso, os petistas veem uma importância crescente nas vagas ao Senado, pois os eleitos podem vir a ser ministros em uma eventual quarta gestão de Lula, criando oportunidades para os suplentes assumirem cargos no Senado.
Haddad, que já expressou seu desejo de participar da coordenação da campanha à reeleição de Lula e na formulação do programa de governo, também tem sido pressionado por aliados. Camilo Santana, ministro da Educação, em uma entrevista recente, destacou a relevância de Haddad em um “projeto nacional liderado por Lula”, indicando que sua participação na campanha não pode ser uma decisão isolada.
Ainda que haja elogios à atuação de Alckmin, que ocupa a Vice-Presidência, aliados de Lula defendem que ele poderia ser um nome forte para a disputa ao governo, especialmente se Haddad se candidatar ao Senado. Entretanto, Alckmin tem repetido a aliados que não tem interesse em concorrer a nenhuma dessas vagas.
As conversas entre Lula e Haddad se intensificam à medida que o pleito se aproxima. O clima de incerteza em São Paulo coloca Haddad em uma posição crítica, e a pressão sobre ele continua a crescer na medida em que o PT busca consolidar suas estratégias eleitorais.