Ataque terrorista atinge aeroporto de Níger e suspende voos
Na madrugada de quinta-feira, 6 de agosto de 2023, o aeroporto internacional Diori Hamani, localizado em Niamey, capital de Níger, sofreu um ataque terrorista que deixou danos em pelo menos três aeronaves comerciais que estavam estacionadas no local. As autoridades locais decidiram suspender o tráfego aéreo na região após o incidente, que ocorreu entre a meia-noite e duas da manhã.
Ninguém reivindicou a autoria do ataque até o momento. Entretanto, é importante destacar que a região tem sido palco frequente de ofensivas por grupos extremistas, como o Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM) e a Província do Estado Islâmico do Sahel. O aeroporto Diori Hamani não é apenas um ponto de transporte civil, mas também abriga uma base militar e a sede da força antiyihadista da Aliança de Estados do Sahel, que inclui Malí, Níger e Burkina Faso.
De acordo com relatos de residentes próximos ao aeroporto, fortes explosões e tiros foram ouvidos durante o ataque. Imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostram projéteis sendo disparados do solo, indicando que os sistemas de defesa antiaérea foram ativados. Na sequência do ataque, blindados e soldados do exército nigerino foram mobilizados para bloquear o acesso ao aeroporto.
Entre as aeronaves danificadas, duas pertencem à companhia togolesa Asky, enquanto a terceira é da Air Côte d’Ivoire, que sofreu impactos de bala no fuselagem e em uma das asas. Informações de fontes próximas ao governo nigerino indicam que nas semanas anteriores o alerta entre as forças de defesa e segurança havia sido intensificado devido à possibilidade de realização de um ataque terrorista na capital.
Na semana anterior ao ataque, o JNIM havia reivindicado a destruição de um veículo militar a cerca de 20 quilômetros ao leste de Niamey. Além disso, no momento do ataque, o aeroporto Diori Hamani armazenava um carregamento de 1.000 toneladas de urânio da multinacional francesa Orano, que acusou o governo de Níger de expropriar o referido carregamento.
Níger é parte de uma das regiões mais afetadas por insurgências yihadistas, juntamente com Malí e Burkina Faso. Desde 2025, cerca de 2.000 mortes devido a este tipo de violência foram registradas no país, de acordo com dados da ONG Acled. Em 2023, um golpe de Estado liderado pelo general Abdourahamane Tiani depôs o presidente legítimo, Mohamed Bazoum. O novo governo então expulsou as forças armadas francesas e recebeu cerca de 300 mercenários russos do grupo Wagner, hoje denominado Africa Corps, como aliados na luta contra o extremismo.
Os esforços do Níger, junto com Malí e Burkina Faso, para enfrentar a ameaça yihadista têm enfrentado dificuldades, resultando em uma crescente insegurança nas áreas afetadas por esses grupos. Enquanto isso, a propaganda oficial alegou que as forças armadas dos três países estariam recuperando áreas antes ocupadas pelos yihadistas, mas a expulsão de jornalistas e a dificuldade de acesso às regiões impactadas limitam uma verificação independente da situação real.