Governadores do PSD debatem polarização política e escolha à Presidência
Os governadores do Paraná, Ratinho Jr.; de Goiás, Ronaldo Caiado; e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, são pré-candidatos à presidência pelo PSD. Em uma entrevista ao GLOBO, eles discutem a escolha do candidato à presidência, que será feita por Gilberto Kassab, presidente da sigla. Os governadores afirmam que não há critérios objetivos definidos para a seleção do candidato e que o foco deve estar na construção de um projeto de país.
Ainda que se posicionem como opositores ao governo Lula, os três governadores não veem a necessidade de abandonar os ministérios que ocupam na administração atual, como os de Minas e Energia, Pesca e Agricultura. A polarização política foi uma das principais críticas feitas por eles, que defendem uma abordagem mais conciliadora visando dialogar com eleitores de diferentes espectros políticos, incluindo o eleitor bolsonarista.
A polarização política e suas consequências
Na entrevista, os governadores abordaram a polarização que marca a política brasileira. Eduardo Leite comentou que as pesquisas indicam um descontentamento geral com as opções extremas representadas por Lula e Bolsonaro. "O humor do eleitor é de insatisfação com esses dois polos mais conhecidos", afirmou Leite, ressaltando a necessidade de um candidato que atraia eleitores de diversas posições.
Ronaldo Caiado enfatizou que o eleitor deseja alguém que promova a pacificação do país e critique o que considerou uma falta de ações efetivas por parte do governo atual. Ele levantou questionamentos sobre a eficácia das promessas feitas ao longo de quase 20 anos de governo do partido que atualmente está no poder.
Ratinho Jr. trouxe um exemplo do passado, recordando eleições anteriores e a importância de dialogar com os eleitores sobre suas reais intenções e propostas, ao invés de se perder em uma disputas polarizadas.
Indultos e estratégias políticas
Um ponto polêmico discutido foi a possibilidade de um indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ratinho Jr. e Caiado defenderam a necessidade de se buscar a normalidade e a pacificação do Brasil, enfatizando que o foco deve ser retomar a discussão sobre o futuro do trabalhador e da sociedade em geral.
Caiado, enquanto falava sobre a necessidade de um candidato do PSD ser corajoso e decididamente contrário ao modelo atual, não hesitou em responder às críticas que já fez sobre o presidente Kassab, afirmando que o momento é de união em torno de objetivos comuns.
O papel do PSD nas eleições de 2026
Em relação à entrega dos ministérios ao governo Lula, Caiado reiterou a posição de Kassab de que o compromisso assumido durante a eleição de 2022 continua vigente. Para os governadores, é importantíssimo manter a integridade do partido enquanto se navega pelas complexidades políticas do momento.
Eduardo Leite adicionou um fator a ser considerado: a necessidade de evitar a dispersão de candidaturas que possa resultar em uma polarização ainda maior, levando a um resultado desfavorável nas eleições. Ele expressou a esperança de que o PSD possa unir forças e atrair outros nomes significativos para fortalecer sua posição contra Lula e Flávio Bolsonaro.
A escolha do candidato presidencial do PSD permanece em aberto e será uma batalha de argumentação e visão de futuro em um cenário político em constante transformação. O grupo de governadores, por meio de suas declarações, demonstra uma intenção de desviar da polarização e oferecer um projeto que fale diretamente às necessidades da população brasileira.