Israel estima 70 mil mortos em Gaza e gera controvérsia
O exército de Israel admite que o número de palestinos mortos na recente ofensiva em Gaza pode chegar a 70 mil, uma informação que levantou questionamentos e gerou desconfiança em relação à veracidade dos dados disponibilizados pelas autoridades de Gaza.
Este número, respaldo de um alto comando militar israelense, coincide de forma semelhante às estimativas do Ministério da Saúde de Gaza, que afirma que pelo menos 71.667 pessoas foram mortas desde o início dos bombardeios em 7 de outubro de 2023, após o ataque do Hamas que resultou na morte de 1.200 israelenses. No entanto, a credibilidade desses dados é frequentemente posta em dúvida tanto por Israel quanto pelos Estados Unidos, com o Ministério das Relações Exteriores israelense os qualificando de "enganosos e pouco confiáveis".
Os dados, que não discriminam entre civis e combatentes, têm sua veracidade desafiada em meio ao cenário de devastação. De acordo com informações obtidas em conjunto por instituições independentes e organismos internacionais, como Acled e a ONU, a maioria das vítimas em Gaza seriam civis. O Acled, por exemplo, reportou que 15 de cada 16 mortos desde março são civis, estabelecendo um percentual de 94% durante o período considerado.
Além das mortes documentadas, há um número indeterminado de pessoas que acredita-se que possam estar soterradas sob os escombros dos edifícios devastados, e outras 440 mortes podem estar vinculadas à desnutrição, conforme relatado por autoridades de saúde de Gaza.
Esses dados surgem em um contexto onde a diplomacia pública israelense tem tentado desacreditar os números vindos das autoridades gazatinas. No auge da crise, o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alinhou-se ao discurso do governo Netanyahu, expressando sua desconfiança em relação aos números apresentados, afirmando que, embora reconhecesse que "inocentes" poderiam ter morrido, não acreditava na precisão dos números fornecidos.
A informação sobre a estimativa de 70 mil mortos é ainda mais controversa, uma vez que a portaria militar de Israel declarou que não se trata da cifra oficial do exército. As reservas sobre a confiabilidade dos dados repercutem não apenas entre os órgãos de saúde, mas também na arena internacional, à medida que a comunidade global busca entender o real impacto do conflito.
Este cenário se agrava com a recuperação de restos de um dos mais de 250 reféns sequestrados por grupos armados palestinos durante o ataque em outubro de 2023. Tal recuperação abre caminho para a reabertura do posto fronteiriço de Rafah, a ser realizada em breve, conforme previsto em um plano de paz elaborado por Donald Trump.
Conforme novos dados emergem a cada dia, o debate sobre o número real de vítimas e a folga das informações disponíveis continua a se intensificar, deixando a questão da veracidade dos dados apresentadas por ambos os lados inicializarem uma nova discussão acerca da legitimidade e do custo humano deste conflito.