Kassab libera estados no PSD de apoios para chapa presidencial
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, enfrenta desafios significativos à frente da próxima corrida eleitoral. O partido planeja liberar suas lideranças em estados-chave como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, permitindo que não apoiem a chapa presidencial escolhida pela sigla. Essa estratégia visa a preservação de alianças regionais, apesar de possíveis impactos na campanha nacional.
A situação interna do PSD reflete a complexidade de equilibrar interesses locais e o projeto presidencial do partido. Com pré-candidatos como Ronaldo Caiado, governador de Goiás, Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, a divergência nas bases regionais se torna evidente. O governador Caiado, recém-filiado ao PSD, reconheceu em entrevista ao GLOBO que o candidato à presidência poderá estar no palanque oposto ao do partido na eleição da Bahia, devido à aliança local com o PT.
"A Bahia é um estado que nós precisamos dar atenção especial, pelo impacto em termos de voto. O PSD tem uma posição de, no estado, caminhar ao lado do atual governador e no palanque do atual presidente", afirmou Caiado na entrevista. Essa liberdade de ação foi discutida entre ele e Kassab, ressaltando a estratégia do partido em manter sua base de apoio apesar das rivalidades estaduais.
Palanques estratégicos e alinhamentos complicados
O PSD enfrenta desafios semelhantes em outros estados estratégicos. No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), mantém um alinhamento com o presidente Lula (PT) e deverá apoiar sua reeleição, dificultando a promoção de um candidato próprio ao Planalto. Na região Nordeste, a situação se repete; em Piauí, o partido deverá compor novamente a chapa do governador Rafael Fonteles (PT), enquanto em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) está em busca de apoio do PT em meio à sua candidatura à reeleição.
Dirigentes do PSD admitem que, nos estados mencionados, a prioridade tende a ser a preservação de alianças locais, mesmo que isso reduza o espaço para a chapa nacional. Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) resiste a dividir protagonismo no campo da direita. O PSD, por sua vez, filiou o vice de Zema, Mateus Simões, que concorrerá à sucessão estadual e deverá apoiar a candidatura de Zema ao Palácio do Planalto.
Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o partido continua dividido entre a aliança com Tarcísio de Freitas e a tentativa de Kassab de preservar a autonomia do PSD em 2026. Kassab evita confrontos diretos com o governador paulista, que declarou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No Sul do país, o PSD também encontra entraves. No Rio Grande do Sul, com o governador Eduardo Leite como um dos nomes cotados para a disputa presidencial, a legenda enfrenta divisões internas e alianças locais que não necessariamente se convertem em apoio a um projeto nacional. Em Santa Catarina, a maior parte do campo conservador é ocupada pelo grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O PSD deve lançar João Rodrigues, atual prefeito de Chapecó, como candidato ao governo estadual, mas ainda assim enfrentará disputas por apoio no cenário bolsonarista.
Por fim, no PSD, acredita-se que o principal desafio não reside apenas na escolha do candidato à presidência, mas na capacidade do partido de sustentar uma candidatura nacional sem comprometer suas alianças regionais. A dinâmica política que se desenha para 2026 é uma verdadeira prova de fogo para o partido em sua busca por relevância na corrida presidencial.