Salário Mínimo deve subir para R$ 1.221 com polêmica entre sindicatos
O Ministério do Trabalho e os sindicatos no Brasil chegaram a um acordo para aumentar o salário mínimo, que deve passar a ser de R$ 1.221, um acréscimo de 3,1% em comparação ao ano anterior. Esta decisão, que promete ser aprovada pelo governo federal, visa oferecer maior proteção aos trabalhadores frente ao aumento do custo de vida e à inflação.
O acordo foi anunciado pelo secretário de Estado do Trabalho durante uma coletiva de imprensa, que reforçou a meta do governo de impedir que as empresas por meio de cortes em outros benefícios, como bônus e adicionais salariais, absorvam o aumento do salário mínimo. Segundo ele, a implementação desse novo valor deve ter efeitos retroativos a partir de 1º de janeiro deste ano.
Desde que o atual governo assumiu em 2018, o salário mínimo teve um crescimento expressivo de 66%, passando de R$ 736 para os atuais R$ 1.221. Em comparação, a inflação acumulada nesse mesmo período foi de 23%, o que representa um incremento real no poder de compra dos trabalhadores brasileiros.
A nova proposta de aumento contempla um compromisso do governo com os sindicatos, que já haviam condicionado suas negociações anteriores a esta determinação. Entretanto, as associações patronais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação do Comércio, manifestaram oposição ao aumento, sendo categóricas ao afirmar que essa subida pode causar prejuízos aos setores produtivos.
O governo planeja busca uma legislação que irá garantir que os benefícios salariais não sejam eliminados como consequência do aumento salarial, um ponto de discórdia com a patronal, que defende que qualquer alteração necessitaria de um projeto de lei.
O impacto positivo desse aumento no salário mínimo é esperado por cerca de 2,5 milhões de trabalhadores, a maioria mulheres. Vários representantes sindicais ressaltaram a importância de um salário mínimo adequado e justo, destacando que enquanto os acordos coletivos do ano passado tiveram acréscimos de até 4,2%, questionar a elevação de apenas 3,1% nos salários mais baixos é inaceitável.
Após o anúncio, as associações de empregadores destacaram que a proposta do governo foi discutida de maneira inadequada, uma vez que o conteúdo chegou à mídia antes de ser discutido nas mesas de negociação. A falta de unidade e coordenação entre os diferentes ministérios também foi citada como um fator complicador.
O governo, por sua vez, reforça que o aumento do salário mínimo e as novas regras sobre composições salariais serão tramitados separadamente, no entanto, há promessas de que as mudanças busquem uma construção mais equilibrada entre os interesses dos trabalhadores e das empresas.