Suspeitas de Fraude em Negócios entre Banco Master e BRB
Investigações da Polícia Federal (PF) revelam indícios de fraudes envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o Banco de Brasília (BRB). Essa apuração, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), investiga a origem de carteiras de crédito que o BRB adquiriu, as quais podem ser inexistentes e semelhantes a fraudes passadas no sistema financeiro brasileiro.
Os depoimentos, realizados em dezembro de 2025, incluem o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Ambos apresentaram versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito. A investigação sugere que a aquisição de créditos pelo BRB poderia resultar em um rombo de mais de R$ 5 bilhões, caso se confirme a inexistência dos ativos.
Ailton Aquino, diretor de fiscalização do Banco Central (BC), afirmou à PF que o Banco Master emitiu créditos inexistentes. Ele comparou essa irregularidade a casos passados, como o do Cruzeiro do Sul e o Econômico, que foram liquidadas em função de fraudes constatadas. Aquino enfatizou que o BRB deveria ter percebido esses problemas, reunindo indícios claros de falhas em sua governança.
— Eu tenho certeza de que a governança do BRB deveria ter identificado (as fraudes). Não tenho dúvidas disso.
Daniel Vorcaro, por sua vez, defendeu-se à Polícia Federal ao afirmar que, se tivesse recebido ajuda de políticos, não estaria enfrentando a situação atual. Durante o inquérito, ele enfatizou que suas relações políticas não se concretizaram na viabilização da venda do Master ao BRB, afirmando:
— Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido essa ajuda, não estaria aqui de tornozeleira eletrônica.
O banqueiro confirmou ter se encontrado com o governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), mas negou que tenham discutido assuntos relacionados ao Master. O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 devido a “grave crise de liquidez” e violações às normas do sistema financeiro.
No processo, Vorcaro declarou que parte dos créditos em questão foi originada de uma empresa chamada Tirreno, ao passo que Costa sustentou que a competência dos créditos pertencia ao Master. A tensão entre os depoimentos expôs um conflito de informações, levando a PF e o BC a investigarem ainda mais as transações.
Durante os depoimentos, Costa revelou ter cobrado diretamente de Vorcaro esclarecimentos sobre os problemas nas carteiras de crédito, ressaltando uma falta de comunicação regular entre o Banco Master e o BRB. Quando a supervisão falhou, Costa se sentiu na obrigação de escalar a situação ao presidente do outro banco, que, nesse caso, é Vorcaro.