Caiado apaga insulto a Kassab após se filiar ao PSD
Postagem nas redes sociais de 2015 ocorreu enquanto o presidente do PSD era o ministro das Cidades do governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tomou uma decisão estratégia de apagar uma postagem de 2015 onde insultava o presidente do PSD, Gilberto Kassab. Isso aconteceu um dia após anunciar sua filiação ao partido de Kassab. Em 2015, Caiado se referia a Kassab como "cafetão do Palácio do Planalto", em razão de alegações sobre suas manobras políticas. Agora, sua adesão ao PSD pode ser interpretada como uma tentativa de fortalecer a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na postagem original, Caiado criticava Kassab por supostamente cooptar parlamentares de diversas siglas para o Partido Liberal (PL). Enquanto isso, Caiado ocupava o cargo de senador pelo DEM, e Kassab era o ministro das Cidades. A publicação de Caiado, onde mencionava Kassab como o "cafetão do Planalto", foi compartilhada na antiga rede social Twitter, atualmente conhecida como X.
Quando questionado a respeito das críticas do passado ao dirigente do PSD, Caiado, em uma entrevista ao jornal O GLOBO, preferiu minimizar a importância dessas postagens antigas. "Não irei discutir nota de rodapé na longa trajetória política ao lado do Kassab, que vem desde 1989 na pré-campanha à Presidência da República", afirmou o governador.
Caiado também expressou que o foco deve ser saber o que a população brasileira deseja, comentando que esse desejo não se alinha com o modelo político atual. Ele enfatizou que o candidato do PSD deve ter coragem para enfrentar os assuntos críticos, sem se tornar uma figura "híbrida". "Cada um tem um estilo. O estilo de um e de outro será respeitado, isso não é defeito", declarou Caiado.
A migração de Caiado para o PSD foi percebida como um movimento que reforça a tática de pulverização de candidaturas de oposição ao governo Lula. O objetivo desta estratégia é evitar um cenário polarizado entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi escolhido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como candidato para a eleição deste ano.
De acordo com Caiado, Kassab lhe deu respaldo para que ele atue como oposição ao governo Lula. A filiação de Caiado também representa um fortalecimento do capital político de Kassab, que agora pode contar com três presidenciáveis em seu partido. Kassab continua a ser uma figura influente na gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que era considerado um candidato viável para a Presidência antes do anúncio de Flávio Bolsonaro.
Os governadores do PSD enfrentarão o desafio de atrair segmentos-chave que apoiaram Bolsonaro nas eleições de 2022, especialmente aqueles que ainda veem Tarcísio como o nome mais competitivo contra Lula. As movimentações políticas de Ratinho Jr., Caiado e Leite estão focadas em segmentos essenciais do mercado financeiro, além de lideranças da indústria e do agronegócio.