Dúvidas sobre ativos do BRB levantam preocupação
O depoimento de Ailton Aquino, diretor do Banco Central, trouxe à tona incertezas sobre a qualidade dos ativos entregues ao Banco de Brasília (BRB) em troca de carteiras fraudulentas. Segundo Aquino, os ativos podem ter um valor inferior aos R$ 10 bilhões estimados, criando uma possível complicação para a estratégia já delicada do banco. O novo presidente do BRB, Nelson de Souza, aponta para um potencial de valorização, o que pode ser um alicerce para a recuperação da confiança no banco.
A situação é crítica e merece atenção, pois, apesar de o depoimento ter ocorrido há cerca de um mês, suas implicações potencialmente negativas sobre a postura do BRB em relação à venda de ativos não podem ser ignoradas. Aquino declarou à Polícia Federal e ao Ministério Público que a troca de ativos após a descoberta das fraudes foi feita de forma "muito rápida", o que indica que o BRB pode ter recebido ativos de menor qualidade do que o esperado. Ele sugeriu que a necessidade de provisionar no balanço do BRB poderia subir de R$ 2,6 bilhões para cerca de R$ 5 bilhões ou até mais, agravando a situação financeira do banco.
Na última semana, o presidente do BRB se manifestou sobre a questão em uma entrevista ao GLOBO, afirmando que os ativos de R$ 10 bilhões entregues ao banco poderiam valer mais do que o contabilizado inicialmente. Ele enfatizou que essa avaliação ainda estava em processo, mas sua expectativa era de que os ativos, que incluem carteiras de crédito de atacado e varejo e fundos de investimentos, tinham sido registrados com descontos em relação aos R$ 12,2 bilhões em créditos considerados fraudulentos anteriormente vendidos pela Tirreno. Se os ativos forem vendidos a preços de mercado, esse movimento pode não apenas cobrir a expectativa de perdas, mas também trazer resultados positivos para o BRB, possivelmente evitando uma necessidade de aporte de capital pelo governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB.
Entretanto, o cenário esboçado por Aquino pode dificultar a concretização desse otimismo, principalmente em um cenário onde outras instituições, como o Will Bank, enfrentam problemas similares. O peso da palavra de um diretor do Banco Central nesse contexto é significativo. Ao expressar suas incertezas sobre a qualidade dos ativos e mencionar exemplos concretos, a perspectiva de negociações do BRB para a venda de ativos torna-se mais complicada.
Nos últimos dias, o BRB tem se manifestado, compartilhando informações relevantes sobre a avaliação ainda em curso dos ativos recebidos. O banco reafirmou que, após esse processo de avaliação, os ativos serão vendidos como parte de uma estratégia de gestão de liquidez e capital. Em seu depoimento, Aquino também evidenciou fragilidades na governança da gestão anterior do BRB, sob a liderança de Paulo Henrique Costa, no que se refere à compra de ativos com indícios de fraudes. Além disso, foi enfático ao rebater a tese de defesa de Daniel Vorcaro, que tentava dividir com o Banco Central a responsabilidade pelas decisões tomadas entre 2024 e 2025, afirmando que a supervisão não retira o poder de gestão, além de destacar a ausência de um regime de administração especial no caso Master, já que tal aprovação não foi concedida pela diretoria colegiada do BC.