Europa avança na corrida pela computação quântica
Nos últimos anos, a Europa tem enfrentado desafios significativos na área de tecnologia, especialmente em comparação com os investimentos astronômicos realizados pelos Estados Unidos. Entretanto, um novo vento está soprando a favor do continente, com talentos que anteriormente migraram para Silicon Valley começando a retornar.
A computação quântica, uma forma avançada de processamento de informações, pode ser a próxima grande inovação tecnológica, colocando a Europa em uma posição de destaque. Desde 2018, a Comissão Europeia investiu cerca de 1 bilhão de euros em centros, laboratórios e redes quânticas, formando um dos ecossistemas mais avançados do mundo. Embora a aplicação comercial da computação quântica não esteja prevista para os próximos anos, esse investimento pode ser decisivo para que Europa não perca mais uma oportunidade de liderança tecnológica.
A principal diferença entre a computação quântica e a computação clássica é a maneira como as informações são processadas. Enquanto as tradicionais computadores utilizam bits que representam 0 ou 1, as máquinas quânticas operam com cúbits, que podem representar ambos os estados simultaneamente, graças ao princípio da superposição. Essa característica proporciona uma capacidade de resolver problemas de maneira mais eficiente, utilizando a capacidade de analisar milhões de soluções ao mesmo tempo.
Ainda assim, a construção de computadores quânticos prontos para o uso enfrenta problemas técnicos, como o chamado "ruído quântico", que resulta em erros no processamento de informações. Esses computadores precisam operar em condições de temperatura próxima ao zero absoluto e requerem um aumento significativo no número de cúbits funcionais e de qualidade para se tornarem viáveis para problemas reais.
Atualmente, a Espanha se destaca como um dos principais polos tecnológicos para a computação quântica, junto com Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Japão e Coreia do Sul. O país conta com centros de pesquisa de referência, incluindo o IBM–Euskadi Quantum Computing Center e o Barcelona Supercomputing Center, o primeiro a ter uma máquina quântica com tecnologia 100% europeia.
O impacto da computação quântica se estende para diversas áreas, incluindo medicina, mercado financeiro, previsões climáticas e desenvolvimento de novos materiais. Daniel Granados, professor no IMDEA Nanociencia, destaca que essas máquinas têm potencial para simular sistemas complexos de forma precisa.
A sinergia entre Inteligência Artificial (IA) e computação quântica é um aspecto que pode impulsionar ainda mais ambas as tecnologias. Enquanto a IA poderá ajudar a minimizar erros na computação quântica, a computação quântica pode ampliar as capacidades de processamento da IA. Por enquanto, a corrida pela primeira máquina quântica que pode alcançar a "vantagem quântica" é intensa, com empresas como IBM e Google liderando a disputa.