Professores em Barcelona iniciam greve em busca de melhorias
Na última segunda-feira, 16 de março de 2026, professores de Barcelona realizaram um protesto significativo como parte de uma série de cinco dias de greve, motivada pela rejeição a um acordo educacional firmado entre as autoridades locais e dois sindicatos majoritários. Os educadores exigem melhores salários e condições de trabalho nas salas de aula.
Enquanto a agitação tomava as ruas da capital catalã, os professores, muitos cladados em camisetas amarelas características, marcharam pela cidade. Estima-se que entre 8.000 a 25.000 educadores tenham participado da manifestação, de acordo com diferentes fontes. A atividade ocorreu principalmente na região do Barcelonès e Baix Llobregat, com um seguimento considerável nas escolas, variando entre 29% segundo o governo e até 70% conforme os sindicatos.
Recentemente, o Departamento de Educação assinou um acordo que prevê um aumento de 30% no complemento autonômico ao longo de quatro anos, que atualmente gira em torno de 700 euros mensais. Porém, muitos educadores consideram que este acordo não atende às reais necessidades do setor. "O acordo é um bom início, mas não concretiza soluções para a baixa dos índices de alunos por professor, nem fornece recursos adequados para atender alunos com necessidades especiais", declara uma professora que participou da manifestação.
Entre as preocupações levantadas, houve forte ênfase nas dificuldades enfrentadas por educadores que lidam com alunos com deficiência. "Estamos cada vez mais sobrecarregados, enfrentando uma realidade escolar que não corresponde ao ideal de inclusão que se promete", afirmaram representantes de escolas de educação especial durante a marcha.
A manifestação começou na Praça Urquinaona e seguiu pela Via Laietana, terminando na Praça Sant Jaume. Durante o percurso, um pequeno grupo de manifestantes que se desgarrou dos demais expressou descontentamento com sindicatos, chamando-os de "traidores" por terem apoiado o recente acordo que gerou divisões durante a greve.
A repercussão nos principais acessos a Barcelona, como a C-31 e a A-2, aumentou a tensão e complicou a mobilidade na cidade, acentuando os efeitos de cortes já previstos nas linhas de transporte. Essa greve se insere em um contexto mais amplo de mobilizações no setor educacional, com ações programadas para diferentes regiões da Catalunha até o final da semana.
O movimento, que abrange não apenas educadores da rede pública, mas também profissionais de instituições de educação especial e creches, já levou os sindicatos a solicitar ao governo que retome as negociações. "A responsabilidade é do Departamento de Educação e esperamos que eles considerem nossas reivindicações", declarou um representante dos professores.
Essa mobilização é uma resposta direta à percepção de que a educação na Catalunha está enfrentando um momento crítico, onde as condições de trabalho e o financiamento da educação pública são questões prioritárias a serem debatidas na sociedade civil.