Investidores estrangeiros injetam R$ 23 bilhões na Bolsa em janeiro
O mês de janeiro de 2026 marcou uma grande movimentação na Bolsa brasileira, com investidores internacionais injetando a expressiva soma de R$ 23 bilhões. Esse fluxo já quase iguala o total registrado ao longo de 2025, quando o investimento foi de R$ 25,47 bilhões. Essa entrada significativa de capital reflete o apetite global por mercados emergentes, especialmente diante da instabilidade econômica nos Estados Unidos e das altas taxas de juros no Brasil.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa, teve um aumento impressionante de 13,17% neste mesmo mês, o que ilustra o forte interesse dos investidores. O Brasil se apresenta como um destino promissor, particularmente pelo seu expressivo setor de commodities, que representa cerca de 30% do índice acionário.
Motivos para o interesse no Brasil
A instabilidade nas políticas econômicas dos Estados Unidos, especificamente durante o governo de Donald Trump, é um fator que tem levado os investidores a reconsiderar suas alocações, buscando mercados que possam oferecer rendimentos mais elevados, como é o caso dos emergentes. Segundo Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP, esse movimento já era esperado, mas a intensidade foi surpreendente.
"O mundo começa a questionar um pouco a institucionalidade dos EUA, e isso leva os investidores a reduzir a exposição lá e buscar praças mais competitivas," explica Figueredo, acrescentando que isso beneficia diretamente economias como a brasileira.
O papel central das commodities
A demanda por commodities está, sem dúvida, no centro deste rali de investimentos. Figueredo destaca que, apesar de o mercado de ações brasileiro negociar com um desconto em relação a outros emergentes, as empresas estão apresentando resultados sólidos, que foram especialmente positivos na temporada de balanços do terceiro trimestre. O quadro é reforçado por projeções favoráveis para o quarto trimestre.
Cenário doméstico e sua influência
Em relação ao cenário interno, Figueredo menciona que o clima político, que tende a ficar ainda mais agitado em um ano eleitoral, pode trazer desafios. Contudo, até o momento, esses riscos têm sido absorvidos pelos investidores que consideram o Brasil dentro de uma estratégia mais ampla de alocação em emergentes.
Além disso, o enfraquecimento do dólar no exterior também favorece a atratividade das economias emergentes. "Vimos algo semelhante durante o boom das commodities entre 2002 e 2008, e agora estamos experimentando um movimento parecido," afirma o especialista, prevendo que esse fluxo de capital pode continuar a crescer.
Expectativas futuras
Com as expectativas de cortes de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, o cenário parece ainda mais favorável. Esses movimentos funcionam como catalisadores que direcionam mais investimentos para mercados emergentes. Assim, o Brasil continua a se destacar, potencialmente impulsionando ainda mais a sua Bolsa e suas perspectivas de crescimento.
Em suma, a combinação de fatores como atratividade do mercado, sólido desempenho em commodities, e um ambiente propício para investimentos torna a Bolsa brasileira um local cada vez mais interessante para investidores globais em 2026.