Brenno, um menino autista não verbal de apenas 4 anos, passou por uma experiência traumática que quase tirou sua vida ao cair do décimo andar do prédio onde mora com sua família em Ribeirão Preto, São Paulo. O acidente ocorreu em 27 de dezembro de 2025, quando Brenno estava no banheiro e conseguiu abrir a janela, resultando em uma queda de aproximadamente 30 metros.
Após o susto e o resgate, Paloma, mãe de Brenno, compartilhou os desafios que sua família enfrenta. “As pessoas não medem o que falam, não sabem o que é conviver com autista. Brenno não tem amigo na escola, nunca foi chamado para um aniversário”, desabafa ela, mencionando que a família vive em constante atenção. “Sempre atenção com o Breno, 24 horas. Ele nunca quebrou um braço. Mas o julgamento sempre vem”, complementa.
A mãe admite que carrega sua própria culpa após o acidente: “O pior julgamento é o meu. Eu me culpo. Eu não durmo mais.” No entanto, ela ressalta a gratidão pelo apoio que recebeu de amigos e desconhecidos após a queda de seu filho. “Eu tenho que agradecer demais, porque foram muitas bolsas de sangue que doaram, sabe? Muitas orações”, comenta emocionada.
Paloma envia um aviso a outras famílias: “Coloquem tela nos banheiros. As pessoas não sabem do que uma criança é capaz.” Este lembrete ressalta a importância de medidas de segurança adicionais em lares com crianças pequenas, especialmente aquelas com necessidades especiais.
O acidente e o tratamento de Brenno
Após o chamado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a ambulância levou apenas sete minutos para chegar. “Me mandaram mensagem e falaram: ‘Ah, uma criança caiu de 10 metros’. Nossa, 10 metros, né? Muito alto”, relata Paloma. Contudo, o que parecia ser um acidente grave teve desdobramentos inusitados.
Os médicos que examinaram Brenno constataram que, apesar do impacto forte, seu estado era menos grave do que se esperava. Ele apresentava um trauma leve na cabeça, uma pequena lesão no pulmão e a coluna preservada. “Ele fraturou fêmur dos dois lados e nas tíbias ali na perna”, conta a ortopedista pediátrica Caroline Marconatto Flores.
A dor e os riscos não foram em vão. Os especialistas realizaram cirurgias e colocaram fixadores externos para alinhar e unir os ossos quebrados. O que chamou a atenção foi a recuperação milagrosa de Brenno, que, segundo os médicos, foi favorecida pela sua idade e pela rápida resposta ao atendimento médico. Com sua condição de criança, seus ossos ainda em formação possibilitaram um tratamento mais eficaz.
A queda, que poderia ter sido fatal, foi ao menos atenuada pelo fato de que Brenno não caiu diretamente no chão, mas atingiu primeiro a janela e um corrimão, o que ajudou a desacelerar sua descida. “Na hora que ele caiu, bateu na janela que estava aberta”, explica Carlos Daniel Fernandes, pai de Brenno.