Desigualdade nos Diagnósticos por Imagem em Madrid
Uma recente pesquisa revelou a desigualdade no acesso aos serviços de radiologia na Comunidade de Madrid, evidenciando que a entrega de relatórios de exames varia drasticamente entre os hospitais da região. O estudo foi realizado com 356 médicos de família, que demonstraram preocupação com a falta de acesso a relatórios de radiografias, em especial no Hospital Infanta Leonor e no Infanta Sofía.
Nos últimos anos, a prestação de exames de radiologia na comunidade tem enfrentado um declínio, atribuído à falta de especialistas em diagnóstico por imagem. No entanto, essa situação é predominante de forma desigual. Mais de 75% dos médicos entrevistados relataram que não conseguem obter um relatório de uma radiografia de tórax, mesmo mediante solicitação explícita. Em contrapartida, os hospitais como Gregorio Marañón, Fundação Alcorcón e Rei Juan Carlos garantem a entrega de todos os exames solicitados.
A qualidade dos cuidados em saúde está sendo comprometida, especialmente no que diz respeito a radiografias de tórax, as quais são essenciais para diagnosticar condições como neoplasias primárias, metástases e doenças pulmonares crônicas. A Mesa de Saúde do Puente de Vallecas e a Rede de Profissionais de Atenção Primária criticaram a falta de iniciativa da Consejería de Sanidad para resolver essa crise.
O estudo, que será apresentado nesta terça-feira, destaca a ausência de soluções por parte das administrações da saúde e dos centros médicos, provocando uma disparidade territorial entre os serviços de radiologia disponíveis. Os médicos entrevistados acusam uma gestão deficiente que, além de não prover relatórios, causa enormes atrasos na realização de ecografias, com muitos exames sendo terceirizados.
O Dr. Nacho Revuelta, atuando no centro de saúde Rafael Alberti em Puente de Vallecas, informou que desde 1º de outubro foi comunicada a impossibilidade de solicitar relatórios ao serviço de radiologia local. Uma carta assinada por mais de 100 médicos pedindo uma explicação não recebeu resposta, o que só intensifica a sensação de abandono.
A falta de acesso a relatórios não apenas inviabiliza a dupla verificação dos exames, mas também eleva a carga de trabalho dos médicos de atenção primária. Segundo Alberto Cotillas, presidente da Sociedade Madrileña de Medicina de Família e Comunitária, essa situação reduz a segurança diagnóstica e a qualidade das imagens, pois os médicos baseiam suas avaliações em telas de computadores simples, enquanto os radiólogos dispõem de equipamentos de alta resolução.
As limitações enfrentadas por médicos e pacientes aumentam a pressão no sistema de saúde. O diagnóstico por imagem, essencial para uma abordagem clínica precisa, está sendo comprometido, levando ao agravamento do estado de saúde de muitos pacientes. Revuelta criticou que a realidade dos cuidados de saúde se assemelha a um mercadinho, em que a qualidade do atendimento depende da localização do paciente.