Resultados do BBVA mostram crescimento e desafios no setor
O BBVA alcançou em 2025 um novo recorde de lucros, alcançando 10,5 bilhões de euros, representando um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior. Apesar desse crescimento, o mercado reagiu negativamente, com as ações do banco caindo 8,8% após a divulgação dos resultados. Esta reação se deve à expectativa elevada dos investidores, que não se satisfazem apenas com números recordes.
A rentabilidade do banco, medida pelo ROTE (retorno sobre o capital tangível), apresentou uma ligeira queda, passando de 20% para 19,3%. Os resultados ficaram levemente abaixo do consenso dos analistas, evidenciando uma leve pressão sobre as expectativas do setor bancário.
Um dos pontos de atenção para os analistas são os níveis de capital do banco, que se mostraram inferiores ao esperado, impactados pelos dividendos e pelo aumento dos ativos ponderados por risco. Em relação ao seu desempenho em mercados internacionais, o BBVA enfrenta desafios, incluindo um desempenho inferior do que o esperado em sua filial na Turquia e provisões maiores do que as previstas, conforme um relatório da Jefferies.
Ainda assim, o BBVA se destacou entre seus concorrentes. Enquanto muitos bancos registrarão quedas nos margens de juros devido às recentes reduções nas taxas de juros promovidas pelo Banco Central Europeu (BCE), o BBVA viu seu aumento em 4%, totalizando 26,28 bilhões de euros. As comissões líquidas também cresceram em 2,8%, atingindo 8,215 bilhões de euros, resultando em uma margem bruta de 36,931 bilhões de euros.
Os custos operacionais avançaram apenas 1%, totalizando 14,332 bilhões de euros. Essa eficiência fez com que o banco apresentasse uma melhoria significativa nos índices de eficiência, que agora se situam em 38%.
A carteira de empréstimos também teve um aumento expressivo de 16%, e o número de clientes atingiu um novo recorde, superando 11,5 milhões. No mercado espanhol, o desempenho foi particularmente forte, com um aumento de 11,3% no lucro, atingindo 4,175 bilhões de euros. Neste segmento, o margem de juros cresceu 3,2%, alcançando 6,588 bilhões, enquanto as comissões subiram 3,7%, somando 2,364 bilhões de euros.
México continua sendo o maior mercado do BBVA, respondendo por 45% do lucro total. Embora tenha registrado uma queda de 3,4% nos lucros em função de flutuações cambiais, o mercado mexicano ainda apresentou crescimento nos investimentos em crédito e recursos dos clientes, com aumentos de 7,5% e 13,8% respectivamente.
Quanto à solvência, a razão CET 1 fully loaded do grupo se posicionou em 12,7%, superando a meta estabelecida entre 11,5% e 12%. A taxa de inadimplência se manteve em 2,7%, significativamente abaixo do patamar histórico.
O banco anunciou um programa de recompra de ações de 49 bilhões de euros, destinado a absorver o capital excedente após o fracasso da OPA sobre o Banco Sabadell. Além disso, o conselho de administração aprovou o pagamento total de 5,2 bilhões de euros em dividendos.
O BBVA apresentou suas previsões para 2026, prevendo um retorno à rentabilidade superior a 20% e uma eficiência abaixo de 40%. No mercado espanhol, o banco espera um crescimento de 5% na carteira de crédito, com expectativas de aumento menor que 5% nas margens de juros e comissões, enquanto os custos devem aumentar entre 5% e 10%. O mercado mexicano também é previsto para um crescimento semelhante, com margem bruta e juros superando a marca de 10%.
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