SpaceX impede acesso da Rússia ao Starlink
A SpaceX está implementando medidas para restringir o acesso russo ao seu serviço de comunicações via satélite Starlink, enquanto mantém autorizados os terminais ucranianos. O governo da Ucrânia havia denunciado que as forças russas estavam utilizando o serviço em operações de combate. Relatos iniciais indicam que as tropas russas já estão enfrentando dificuldades em virtude das novas restrições. Esta semana, a SpaceX moveu-se para desabilitar a conectividade das unidades russas, mantendo uma lista de terminais ucranianos autorizados.
A notícia foi recebida com entusiasmo por autoridades e analistas ucranianos, que alegam que as forças russas estavam se valendo do Starlink para coordenar ataques de longo alcance. "O inimigo relata um apagão massivo do Starlink entre as unidades russas na linha de frente", escreveu Serhii Sternenko, líder de uma organização ucraniana de financiamento coletivo para drones, em uma postagem. Ele afirmou que, se isso se confirmar, o exército ucraniano recuperará sua vantagem em comunicação.
Além disso, Serhii "Flash" Beskrestnov, um conselheiro sobre guerra de drones do ministério da defesa ucraniano, declarou que a nova medida impactou ofensivas terrestres russas em diversas áreas de combate. "O inimigo nem sequer tem problemas nas frentes; o inimigo tem uma catástrofe", disse ele.
Em decorrência das sanções impostas pelos Estados Unidos após a invasão em larga escala da Rússia, a SpaceX não comercializa terminais do Starlink para o país. No entanto, autoridades ucranianas já haviam manifestado preocupações sobre as tropas russas adquirindo esses terminais no mercado negro. Kyiv afirmou ter encontrado tecnologia da empresa americana em drones de reconhecimento derrubados. A pressão sobre a SpaceX para limitar o acesso russo à plataforma intensificou-se no último mês, quando representantes de defesa ucranianos relataram a presença de terminais Starlink em drones de ataque de longo alcance.
A restrição de acesso às forças da Rússia, no entanto, revelou-se mais complexa do que uma simples delimitação de área geográfica, visto que as tropas ucranianas também utilizam o Starlink. O desativamento em regiões contestadas poderia ter afetado as operações de Kyiv. Contudo, isso parece estar mudando com a nova lista de terminais autorizados.
Nos últimos dias, o ministério da defesa da Ucrânia e influenciadores no Telegram têm exortado os soldados a registrarem rapidamente seus terminais no sistema de gerenciamento de combate DELTA do país. As restrições de acesso podem se estender também a áreas civis distantes das linhas de frente, devido a temores de que o Starlink seja usado para guiar drones de ataque tipo Shahed, que visam cidades. Empresas precisam solicitar acesso através de um portal online, enquanto civis foram instruídos a levar seus terminais Starlink a centros administrativos, juntamente com um documento de identidade nacional. O ministro da defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, afirmou que a lista de autorizados é atualizada diariamente.
"Continuamos a verificar os terminais Starlink. A primeira leva de terminais que foi incluída na lista já está funcionando", declarou Fedorov. Elon Musk, fundador da SpaceX, incentivou os usuários ucranianos a se inscreverem na lista. "É importante registrar seu terminal Starlink se você estiver na Ucrânia", escreveu Musk em uma rede social.
As mudanças na conectividade também desativaram o acesso do Starlink a terminais que se deslocavam a velocidades superiores a 75 quilômetros por hora, em uma tentativa de interromper a orientação de drones de ataque. O impacto exato dessas novas medidas na guerra ainda não está claro, mas relatos iniciais da Rússia e da Ucrânia sugerem que o movimento já está afetando o campo de batalha.
Um canal de Telegram russo, Rybar, gerido por um blogueiro militar, reportou que as restrições do Starlink temporariamente desacelerariam as operações de combate de Moscovo. O canal, que até esta semana vinha pedindo aos seguidores que doassem ou financiassem terminais Starlink para as tropas russas, também sugeriu que o Kremlin precisaria iniciar o desenvolvimento de sistemas de comunicação equivalentes para a linha de frente.
Entretanto, Rybar minimizou o impacto nas operações russas, alegando que a lista de autorizados do Starlink poderia, em alguns casos, beneficiar o Kremlin. "Se o sistema for hackeado, tal lista daria às tropas russas a geolocalização de diversas posições das Forças Armadas ucranianas", postou em outra publicação.
Roman Alekhin, outro blogueiro militar russo, expressou preocupação, afirmando que as forças russas podem não ter alternativas prontas para o Starlink, dependendo temporariamente de fibra óptica para as comunicações na linha de frente. "Isso é muito ruim, especialmente considerando a enorme necessidade de comunicação na frente", escreveu ele.
Enquanto isso, canais do Telegram ucranianos celebraram a interrupção como um golpe significativo contra as forças russas. Sternenko comentou que o inimigo havia até instalado terminais em tanques para ajustar o fogo online, mas isso agora acabou. "Isto é apenas o começo", concluiu.
A Wild Hornets, uma fabricante ucraniana de drones, publicou uma foto que alegadamente mostrava os destroços de um drone de engano russo com uma mensagem vulgar dirigida a Musk. Entretanto, algumas forças ucranianas também relataram estar enfrentando problemas com as interrupções. "Foi descoberto que nossos soldados estão tendo dificuldades com aqueles que não apresentaram prontamente as listas de Starlink privados", escreveu Beskrestnov. O processo de avaliação continua. Fedorov, que foi confirmado como o novo ministro da defesa da Ucrânia no mês passado, agradeceu à SpaceX e a Musk pelas novas medidas do Starlink. "Graças aos primeiros passos tomados nos últimos dias, nenhum ucraniano foi morto por drones russos utilizando Starlink — e isso não tem preço", ressaltou. A SpaceX não respondeu a um pedido de comentário feito fora do horário regular de trabalho.
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