Migração infantil: a dura realidade dos equatorianos nos EUA
Cerca de 30 mil crianças equatorianas cruzaram a fronteira dos Estados Unidos nos últimos dez anos, impulsionadas pela violência em seu país e lutando contra um sistema migratório cada vez mais hostil.
Um evento que marcou a vida da família Conejo aconteceu em 21 de janeiro de 2026, quando Adrian Conejo e seu filho Liam, de cinco anos, foram parados por agentes do ICE em Minneapolis após Liam sair para a escola. Após 11 dias em detenção, Adrian contou: “Os agentes pediram para Liam bater na porta de nossa casa, onde a sua mãe estava desesperada e grávida de quatro meses”. Embora a família tenham se reencontrado, continuam escondidos, temendo pela sua segurança.
A imagem de Liam com seu gorro azul e mochila de Spiderman se espalhou pelos meios de comunicação, simbolizando a face cruel da política de imigração dos Estados Unidos, enquanto, do outro lado, o presidente equatoriano Daniel Noboa optou pelo silêncio. Para Caroline Ávila, analista política, o silêncio de Noboa em questões de direitos humanos é revelador. “Sua postura é uma clara submissão a um poder que se mostrou superior”, afirma.
O governo de Noboa prioriza a relação comercial com os Estados Unidos, em detrimento dos direitos humanos dos migrantes. Embora a situação de milhares de crianças imigrantes seja alarmante, a agenda do governo está mais focada em questões comerciais e tarifárias do que na proteção dos direitos dos equatorianos.
“Defender os migrantes não é uma prioridade para este governo concentrado em problemas comerciais”, resume Ávila.
Em 2023, 7.361 crianças entraram na fronteira americana, sozinhas ou acompanhadas, muitas através do perigoso caminho do Darién. Soledad Álvarez, especialista em migrações, ressalta que essas crianças enfrentam violentas travessias por países dominados pelo crime organizado. Quando finalmente chegam aos Estados Unidos, enfrentam um novo tipo de terror.
Desde janeiro, as operações de detenção têm se intensificado em cidades como Los Angeles, Chicago e Minneapolis, onde a estratégia é focar, inicialmente, em homens, desestruturando suas famílias e forçando-as a uma “saída voluntária”. "Essa é uma política deliberada de separação familiar”, alegou Álvarez.
Além das dificuldades emocionais, o tratamento das crianças no sistema judicial americano não oferece as proteções necessárias.
“Um garoto recebe exatamente o mesmo tratamento legal que um adulto, independentemente da idade”,explica a advogada de imigração Ingrid Echeverria.
Enquanto isso, as autoridades do Equador tentam monitorar os casos de seus cidadãos detidos, mas os esforços são frequentemente ineficazes. Recentemente, houve uma tentativa de invasão do consulado equatoriano por agentes do ICE, gerando protestos e demandas por respeito aos direitos internacionais.
O futuro das crianças equatorianas detidas nos Estados Unidos permanece incerto, mesmo para aquelas que podem buscar asilo, enfrentando padrões quase impossíveis de atender e falta de informações sobre suas opções legais.
A complexidade da situação das crianças migrantes, como Liam, reflete a necessidade urgente de um debate sobre as políticas de imigração e as suas consequências humanas, especialmente em um contexto de crescente vulnerabilidade e desamparo dessas populações.