Ministros intensificam repasses de verbas em ano eleitoral
Ministros do governo Lula estão acelerando a destinação de verbas federais para seus estados de origem com foco eleitoral, agora nas vésperas de suas saídas. Esse movimento desperta discussões sobre a utilização da máquina pública em benefício pessoal e estratégico.
Entre os ministros em destaque, André Fufuca (Esporte), Camilo Santana (Educação) e Carlos Fávaro (Agricultura) intensificaram investimentos em seus respectivos redutos eleitorais. Fufuca, que tenta lançar sua candidatura ao Senado, destacou o Maranhão, onde o investimento em obras esportivas saltou 144,7% em comparação ao ano anterior, totalizando R$ 170,3 milhões em 2025. Isso colocou o estado em primeiro lugar no ranking de repasses da pasta, superando estados como Rio de Janeiro e São Paulo.
O Ministério da Agricultura também promoveu um aumento significativo nos repasses ao Mato Grosso, de R$ 132,9 milhões, um crescimento de 209,7% em relação a 2024. O estado comandado por Fávaro se destacou na destinação de recursos públicos, levantando questionamentos sobre a natureza das prioridades. O ministro justifica que a distribuição segue critérios técnicos e respeita a execução orçamentária.
Ceará também chamou atenção, recebendo R$ 154,2 milhões do Ministério da Educação, administrado por Camilo Santana, com foco na construção de creches e escolas. Santana, que deve deixar o cargo para auxiliar o governador Elmano de Freitas (PT) em sua campanha à reeleição, considera a prática uma prioridade para manter a influência política do Partido dos Trabalhadores no estado.
Além disso, Waldez Góes (Integração) concentrou verbas no Amapá, priorizando aliados políticos, com R$ 71,8 milhões direcionados a convênios no ano passado. A destinação da maior parte destes recursos reinveste na reeleição do governo estadual, aumentando a tensão política local. O professor de direito administrativo e gestão pública, Gladstone Felippo, propõe uma investigação sobre os critérios usados na alocação de recursos do governo federal, sugerindo uma reforma no Código Eleitoral para reduzir a chance de desvio de finalidade.
As ações dos ministros, embora justifiquem a destinação como necessidade de infraestrutura e desenvolvimento regional, levantam questões sobre a ética e transparência no uso de recursos públicos na iminência de eleições. A análise se faz necessária, especialmente considerando os impactos que essas transações têm sobre a sociedade e sobre a credibilidade das instituições governamentais.