Prazer na menopausa pode ser intenso; entenda como
Pesquisas e especialistas mostram como desejo, corpo e intimidade se reorganizam com o passar dos anos. Um estudo recente revela que a vida sexual ativa das mulheres continua mesmo após a menopausa, desafiando a ideia comum de que o prazer feminino chega ao fim nessa fase da vida.
Um levantamento realizado pelo Instituto Kinsey, em parceria com a Cosmopolitan, ouviu mais de 3 mil mulheres com mais de 60 anos e desmistificou percepções errôneas sobre a sexualidade feminina. Apesar de 57% das participantes relatarem uma diminuição na libido, 68% afirmam manter relações sexuais mais de uma vez por mês e 74% consideram os orgasmos tão bons quanto antes. Isso indica que o desejo e a atividade sexual não desaparecem com a idade; em vez disso, eles podem se transformar.
Observe que 60% das entrevistadas não veem a penetração como condição obrigatória para uma experiência sexual satisfatória. Embora alguns aspectos da sexualidade possam mudar com a idade, quase três quartos das mulheres afirmam que a qualidade do prazer não foi comprometida. Além disso, 20% relatam vivências até mais intensas do que antes, com 57% garantindo que alcançam o clímax com seus parceiros sempre ou quase sempre.
A perimenopausa, fase de transição que pode ocorrer de três a cinco anos antes da menopausa, costuma impactar diretamente a vida sexual. A médica Isabel Martinez indica que alterações hormonais podem causar sintomas que afetam o conforto e a disposição, como insônia, variações de humor e ressecamento vaginal, que por sua vez pode reduzir o desejo, se não for adequadamente tratado.
Para combater esses desafios, é crucial falar sobre sexualidade durante essa fase, a fim de evitar que o tema seja vivido com culpa ou silêncio. Em vez de um ponto final, a menopausa pode ser vista como uma oportunidade de ressignificar o prazer, enfatiza Isabel. Muitas mulheres agora experimentam o prazer de maneira mais consciente, com menos pressão e maior conexão com seus corpos.
O terapeuta sexual João Borzino ressalta que desconfortos físicos não devem ser naturalizados. A secura vaginal e a dor durante a relação não são normais e não precisam ser aceitas como inevitáveis. Existem tratamentos eficazes disponíveis, como hidratantes vaginais, terapias hormonais e tecnologias a laser, que podem melhorar a lubrificação, elasticidade e trazer conforto à vida sexual.
Mais do que intervenções médicas, o especialista sublinha a importância do autoconhecimento. Compreender o próprio corpo, reconhecer os limites e estimular a intimidade com o parceiro são passos essenciais para vivenciar adequadamente essa nova fase da sexualidade. A sexualidade madura pode ser tão ou mais prazerosa quando há diálogo, curiosidade e abertura para explorar novas formas de conexão.