Fundo de Commodities Responsáveis busca preservar o Cerrado
O Fundo de Commodities Responsáveis (RCF), criado por Mauricio de Moura Costa, tem um papel fundamental na conservação do Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do Brasil. Esse fundo oferece financiamento para a produção de soja de forma sustentável, incentivando os produtores a não desmatarem árvores e, assim, preservando áreas florestais essenciais. Desde seu lançamento em 2022, o RCF já mobilizou cerca de 120 milhões de dólares, preservando 90 mil hectares de vegetação nativa.
Desmatamento e conservação
A pesquisa científica realizada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) confirma um diagnóstico alarmante: se todo o desmatamento permitido dentro dos limites do Código Florestal for realizado no Cerrado, o bioma alcançará um ponto irreversível de devastação. Por isso, a proposta do RCF é crucial, pois busca conectar a necessidade de produção de soja com a conservação ambiental.
A soja, um dos principais responsáveis pelo desmatamento, pode ser cultivada sem causar danos ao cerrado. O RCF propõe um modelo de financiamento com juros baixos para aqueles que aceitam manter a vegetação nativa. "O plano foi desenvolvido para aliar a produção de soja e o controle de desmatamento", explicou Moura Costa.
O Manifesto do Cerrado e seu impacto
O fundo nasceu como consequência do Manifesto do Cerrado, de 2017, que revelou que o Cerrado possui área suficiente para absorver a demanda por soja, sem precisar derrubar mais florestas. "Mais de 70 milhões de hectares foram desmatados e estão subutilizados", diz Moura Costa. O RCF tem como objetivo tornar a agricultura sustentável mais atraente financeiramente.
Com este investimento, o fundo já beneficiou 280 fazendas, que conservam uma estimativa de 22 milhões de toneladas de carbono. "A ideia é oferecer um financiamento competitivo, caso o agricultor se comprometa a não desmatar o que, legalmente, poderia", explica.
Influência internacional e desafios estruturais
Graças a apoio internacional, houve um aquecimento no investimento no RCF, com a colaboração de empresas e bancos de diversos países. O programa, além de atrativo para os produtores, proporciona um modelo de blended finance, onde investidores com perfis diversos se unem para viabilizar inovações financeiras.
Entretanto, os desafios persistem. Entre as condicionantes que os produtores devem atender está a não realização do desmatamento a que têm direito por lei. "Se toda a possibilidade de desmatamento legal for explorada, isso resultará na devastação do Cerrado", enfatiza Moura Costa.
Impacto das ações do governo e perspectivas futuras
O passado mostra que ações como a moratória da soja na Amazônia tiveram sucesso, mas acabaram por aumentar a pressão no Cerrado. "É vital que os mecanismos de conservação se integrem à atividade econômica. Caso contrário, cria-se um cenário artificial que não favorece ninguém", ressalta.
Moura Costa acredita que a consciência dos produtores sobre mudanças climáticas e seu papel nesse contexto está crescendo. O diálogo e a integração entre a produção e a conservação são essenciais para que se chegue a soluções viáveis.
Conclusão sobre a COP 30
Sobre os resultados da COP 30, Moura Costa mencionou que o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF) poderia ser um grande trunfo, mas sobrou a expectativa de que as ações discutidas sejam efetivamente implementadas: "Ainda temos muito a desenvolver. A COP foi um bom passo, mas o caminho está apenas começando."

