Trump busca reverter a queda do carvão com medidas militares
No dia 11 de fevereiro de 2026, uma nova ordem executiva da administração Trump visa reanimar o uso de energia proveniente do carvão nos Estados Unidos, um dos combustíveis fósseis mais poluentes e, paradoxalmente, mais caros. A iniciativa ocorre em um contexto onde as fontes de energia renovável, como gás, solar e eólica, têm ganhado cada vez mais espaço no mercado.
A ordem foi anunciada após Trump receber um prêmio de um grupo de lobby do carvão, o Washington Coal Club, que o intitulou "Campeão Indiscutível do Carvão Limpo e Bonito". A estratégia do governo é fazer com que o setor militar adquira energia de usinas de carvão, o que levanta uma série de questões sobre a viabilidade e as implicações ambientais dessa decisão.
Históricamente, o carvão tem sido apontado como uma das fontes de energia mais caras na matriz elétrica dos Estados Unidos. Ele é superado em custo por alternativas mais limpas e eficientes, ao mesmo tempo em que carrega um estigma significativo por suas emissões nocivas. O carvão é responsável por uma quantidade substancial de poluição do ar, incluindo partículas prejudiciais aos pulmões e substâncias químicas que contribuem para a chuva ácida.
A administração Trump, em sua tentativa de revitalizar o setor de carvão, parece ignorar a tendência crescente de um grid energético mais limpo e acessível. O plano envolve a assinatura de contratos de compra de energia de longo prazo com usinas de carvão, uma medida que é vista como uma intervenção direta do governo em um mercado que já está em declínio.
Uma parte fundamental da nova ordem é o desejo de "inflar artificialmente a demanda" por energia carvão. Segundo a ordem, o Secretário da Guerra, em coordenação com o Secretário de Energia, deve buscar a contratação de energia proveniente da frota de geração de carvão dos Estados Unidos, principalmente para instalações militares e outras dependências essenciais.
Entretanto, as alegações feitas pela administração sobre a eficácia e a limpeza do carvão não se sustentam. Durante um discurso, Trump afirmou: "Vai ser menos caro e, na verdade, muito mais efetivo do que o que estamos usando há muitos anos. Com os avanços ambientais feitos em relação ao carvão, será tão limpo quanto." Essa afirmação carece de fundamentação e ignora os desafios enfrentados por usinas de carvão, como o colapso da rede elétrica no Texas, onde as plantas a carvão contribuíram para a crise energética.
A principal consequência dessa nova ordem pode ser a garantia de contratos de longo prazo que poderão se estender além do mandato de Trump, considerando que sua administração se esforça para implementar políticas que garantam a viabilidade do carvão, mesmo em face de dados que indicam um movimento oposto nas matrizes energéticas do mundo.