Desdobramentos da proposta de anistia para presos políticos na Venezuela
As tensões internas e as divergências na cúpula do governo venezuelano estão atrasando a promessa de anistia para liberar milhares de presos políticos, uma reivindicação urgente das famílias afetadas. A Assembleia Nacional da Venezuela deve discutir, nesta quinta-feira, um projeto de lei que busca libertar centenas de indivíduos detidos por motivos políticos ao longo dos últimos anos de regime chavista.
No último fim de semana, a expectativa sobre o debate foi frustrada após a suspensão da sessão parlamentar prevista, evidenciando a complexidade da aprovação de uma legislação de tamanha importância. A proposta de anistia, inicialmente prometida para avançar rapidamente, tem encontrado resistência interna, refletindo diferentes visões dentro do governo da vice-presidente Delcy Rodríguez.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, havia reafirmado anteriormente o compromisso de aprovar a anistia, gerando esperança nas famílias dos presos. No entanto, essa promessa parece distanciar-se conforme os debates se elongam e as divisões se tornam mais evidentes. Enquanto figuras radicais do chavismo, como Diosdado Cabello, alegam que a lei deverá ter limitações, o deputado Jorge Arreaza tem se reunido com Organizações Não-Governamentais (ONGs) para ouvir suas reclamações em busca de garantias para os detidos.
A proposta de amnistia, embora vista como um passo positivo por muitos, levanta questões legais significativas. Segundo ativistas e especialistas em direitos humanos, a primeira versão da proposta não abrange adequadamente os injustamente detidos, estimados em cerca de 500 indivíduos, e não oferece nenhuma medida de reparação ou garantias para prevenir futuras violações dos direitos humanos.
Além disso, o governo tem feito diferenciações entre detidos considerados prisioneiros políticos e aqueles considerados vítimas da violência política extremista. Isso gerou protestos por parte de familiares de presos políticos, que exigem uma abordagem mais justa e abrangente na legislação. A ativista Martha Tineo, da ONG Justiça, Encontro e Perdão, afirma que a verdadeira solução passa pelo restabelecimento do Estado de Direito, que atualmente se encontra comprometido.
A situação é ainda mais delicada quando considerados casos de militares e civis que permanecem encarcerados apesar de já terem cumprido suas penas. Um exemplo é o de William Paredes, que, mesmo após ter cumprido sua condenação, continua detido em circunstâncias obscuras. As famílias relatam a dificuldade de obter informações sobre os processos de seus entes queridos e as condições em que são mantidos.