Rosa María Payá e a preocupante crise humanitária em Cuba
Rosa María Payá, integrante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), realizou uma visita não oficial ao México para participar de um fórum promovido pela Universidade da Liberdade, de propriedade do empresário Ricardo Salinas Pliego. Como parte de sua agenda na Cidade do México, Payá se reuniu com diversos setores da direita local. O fórum, intitulado “Cuba e América Latina: seis décadas de autoritarismo”, ocorreu no final de janeiro, conforme relatos na imprensa e fotos compartilhadas nas redes sociais por participantes do evento.
A visitadora é descendente de uma família cubana de oposição exilada e sua chegada ao México acontece em um contexto de alta tensão geopolítica. O governo da prefeita Claudia Sheinbaum tem insistido no envio de ajuda humanitária a Cuba, resistindo às pressões da administração de Donald Trump, que expressou claramente seu objetivo de provocar o colapso do regime cubano. Sheinbaum declarou em sua coletiva de imprensa no Palácio Nacional que seu governo “revisará” o caso de Payá, enfatizando: “Essa é sua função e não deveriam militar a favor de uma ou outra causa”.
A candidatura de Payá para a CIDH foi apoiada pelo governo Trump, especificamente pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A posição de Payá começou oficialmente em janeiro deste ano. A prefeita comentou ainda que, independentemente de quem a tenha indicado, os membros da CIDH devem agir com imparcialidade.
A relação do México com as organizações interamericanas de direitos humanos tem sido tumultuada desde a administração de Andrés Manuel López Obrador, que geralmente rejeitou críticas em relação ao seu governo. A visita de Payá possui nuances diferentes, já que, conforme a imprensa local, sua viagem não foi feita com uma agenda oficial da CIDH. Durante o fórum, Payá expressou críticas ao governo de Miguel Díaz-Canel e afirmou que Cuba enfrenta "a pior das crises" devido ao "êxodo, fome e repressão".
Ela destacou que “o regime cubano” e seus “ditadores” estão levando à morte por fome os cidadãos, enquanto protestos demandando mudança de governo se intensificam em toda a ilha. Payá comentou sobre a vulnerabilidade dos governantes cubanos em meio ao envio de ajuda humanitária, ressaltando: “Nunca os havia visto tão vulneráveis”. Ela alertou que os subsídios da Venezuela não mais estarão disponíveis e expressou esperança de que outros países não tentem substituir Nicolás Maduro.
Historicamente, o México enviou petróleo a Cuba regularmente como parte de um acordo comercial. Contudo, a Casa Branca, durante a administração Trump, tratou isso como apoio a um regime considerado uma ameaça. Em resposta, o governo Sheinbaum começou a substituir o envio de petróleo por alimentos, embora a prefeita tenha afirmado que está buscando reativar o fornecimento de petróleo, desde que isso não comprometa o México. Em sua defesa, Sheinbaum disse: “Não se pode sufocar um povo assim. É muito injusto”.