Nova proposta eleitoral nos EUA pode impactar voto feminino
A Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou recentemente uma nova legislação que introduz alterações significativas nas regras para o registro e a votação. Conhecida como SAVE (Safeguard American Voter Eligibility, ou Proteger a Elegibilidade de Votantes), essa proposta foi aprovada com 218 votos a favor e 213 contra, com apoio total dos republicanos e apenas um voto do partido democrata.
Essa nova lei, que já conta com um apoio visível do ex-presidente Donald Trump, exige que cidadãos apresentem um passaporte ou um certificado de nascimento para se registrarem para votar. O debate sobre a aprovação da lei no Senado é complexo, já que, embora os republicanos também tenham a maioria lá, são necessários pelo menos sete votos democratas para atingir o mínimo de 60 votos exigidos.
Com as eleições de meio de mandato se aproximando, onde a composição das duas câmaras do Congresso será decidida, a proposta está gerando controvérsia. Críticos, especialmente representantes democratas e organizações de defesa dos direitos civis, alegam que a nova legislação impactará desproporcionalmente mulheres, residentes em áreas rurais e famílias de baixa renda. Teresa Leger Fernández, representante democrata de Novo México, afirmou que a legislatura é uma forma de suprimir o voto, principalmente afetando mulheres que mudaram de sobrenome ao se casar, prática comum nos EUA.
A lei, segundo a representante, pode excluir quase 70 milhões de mulheres que não conseguem provar a identidade exigida nesta nova burocracia. Leger afirmou: "Se seu nome não coincidir exatamente com o que aparece no certificado de nascimento, você poderá ser impedida de se registrar para votar, mesmo sendo cidadã. É um sistema projetado para confundir e desestimulá-las a participar."
As dificuldades são ainda mais acentuadas para mulheres mais velhas, que enfrentam complicações para obter documentos antigos. Leger afirmou que se as mulheres latinas já enfrentam barreiras devido à utilização de dois sobrenomes, essa nova proposta apenas intensifica as dificuldades, especialmente para aquelas que não conseguem unir os dois em seus registros oficiais.
Mike Johnson, o presidente da Câmara de Representantes, defendeu a proposta como um caminho para garantir a integridade do processo eleitoral, argumentando que os cidadãos necessitam de identificação para diversas atividades cotidianas e que não deveria ser diferente para votar. No entanto, os críticos apontam que os requisitos, particularmente a obrigatoriedade de apresentação de passaporte, complicam ainda mais uma situação já difícil, já que apenas metade dos cidadãos possui um passaporte.